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Capítulo 13

Marina Narrando

Chegamos à loja de fantasias e começamos a olhar as opções. Eu já tinha uma ideia do que queria, mas quando comentaram sobre uma competição de melhor fantasia, decidi mudar de ideia, mas Victor, sendo Victor, resolveu dar um pitaco.

- Você devia ir de diabinha, ia combinar contigo. -ele sugeriu, pegando um vestido vermelho minúsculo.

Revirei os olhos, pegando a peça da mão dele e colocando de volta na arara.

- Primeiro, eu não sou óbvia assim. Segundo, eu já sei o que quero.

- O quê? -ele cruzou os braços, desconfiado.

- Mulher-Gato. -respondi, com um sorriso convencido.

- Clichê. -ele debochou.

- Melhor que diabinha.

- Melhor mesmo seria se a gente combinasse. Eu vou de Batman, então você deveria ir de Batgirl.

- Ah pronto, ele acha que manda. -soltei uma risada irônica.

- Mas faz sentido, pô!

- Faz sentido pra você. Eu quero ser a Mulher-Gato. Ela tem atitude, é independente e ainda faz o Batman de trouxa.

Harry e Bruna, que estavam mais afastados olhando fantasias, começaram a rir da nossa discussão.

- Meu Deus, vocês parecem um casal brigando pela decoração da casa! -Bruna disse, rindo.

- Sério, parem de dar vexame na loja. -Harry concordou, segurando o riso.

- Ele que começou. -me defendi, pegando uma máscara de Mulher-Gato e testando no rosto.

- Você que é teimosa. -Victor retrucou, pegando uma capa de Batman e colocando nos ombros.

- Eu que sou teimosa?! Você que tá insistindo nessa palhaçada de fantasia combinando!

- Porque seria legal!

- Você só quer me controlar, Victor. Mas eu sou livre, independente e poderosa!

Harry riu ainda mais.

- A gente vai precisar de um juiz pra esse debate ou vocês conseguem resolver sozinhos?

- Eu já resolvi. Vou de Mulher-Gato e ponto final. -declarei, pegando o restante da fantasia e indo em direção ao caixa.

Victor revirou os olhos, mas me seguiu, ainda segurando a capa de Batman.

Enquanto eu caminhava para o caixa, com Victor resmungando atrás de mim, Bruna e Harry ainda riam da nossa discussão.

- Isso tá parecendo um casamento em crise. -Bruna comentou.

- Cala a boca, Bruna. -respondi, sem paciência.

- Ela tá certa. -Harry concordou.- Se fosse um reality show, eu apostava dinheiro em vocês terminando juntos.

Bufei, virando para Victor.

- Tá vendo o que você causa? Agora até o Harry acha que a gente tem um romance.

- Como se fosse um problema… -Victor resmungou.

- VOCÊ é o problema! -apontei o dedo para ele.

Bruna e Harry só observavam, se divertindo.

- Ok, casal, vamos pagar essas fantasias antes que o dono da loja expulse vocês por perturbação da ordem. -Bruna brincou, puxando Harry para o caixa também.

Depois de pagar, saímos da loja, cada um segurando sua sacola. Ainda estava um clima esquisito, então resolvi implicar um pouco com Bruna.

- E você, hein? Aposto que Harry escolheu a fantasia dos dois, e você só aceitou calada.

Bruna revirou os olhos.

- Nada a ver, tá? A gente escolheu juntos.

- E qual é?

Ela hesitou por um momento e olhou para Harry.

- Pode contar ou vai ser surpresa?

Harry sorriu.

- Ah, deixa ser surpresa. Quero ver a cara do pessoal quando a gente chegar no baile.

- Ai, meu Deus, vocês vão passar vergonha, né? -fiz uma careta.

- Se vamos, só o tempo dirá. -Harry deu de ombros, com um sorrisinho misterioso.

Seguimos andando, e Victor se aproximou de mim, cutucando meu braço.

- Certeza que você não quer trocar sua fantasia? Eu ainda acho que a gente podia combinar…

Suspirei, parando no meio do caminho e encarando ele.

- Victor, pelo amor de Deus, eu vou de Mulher-Gato e acabou.

- Tá, tá. -ele levantou as mãos em rendição.- Mas quando você me ver de Batman todo bonitão, não vai resistir.

- Você realmente se acha, né?

- Claro. E você adora. -ele piscou, saindo na frente.

Bruna e Harry trocaram olhares e riram.

- Pelo visto, o show de flerte não acabou. -Bruna murmurou para Harry.

Ignorei e continuei andando. Mas, no fundo, eu sabia que aquela competição de fantasias não era a única disputa que ia acontecer na festa de Halloween…

Assim que Bruna e Harry se afastaram, Victor jogou o braço ao redor dos meus ombros, como se fôssemos melhores amigos.

- Agora que estamos só nós dois, pode confessar. -ele disse, com um sorriso provocador.

- Confessar o quê? -revirei os olhos, tirando o braço dele de cima de mim.

- Que você tá mordida de ciúmes por causa do Luan e da Lauren.

Parei no meio da calçada e cruzei os braços.

- Que obsessão é essa, hein, Victor? 

Ele riu, colocando as mãos no bolso.

- Não é culpa minha se a sua cara entrega tudo.

- Minha cara não entrega nada.

- Não? Então por que você fechou a cara quando soube que ele ia com a Lauren?

Fiz uma careta e continuei andando em direção ao Starbucks.

- Eu não fechei cara, eu só… achei inesperado.

- Sei. -ele disse, me seguindo.- E o fato de você ter mudado de fantasia só por causa da competição não tem nada a ver com querer impressionar alguém, né?

- Óbvio que não! Eu só gosto de desafios.

Victor riu, abrindo a porta do Starbucks para mim.

- Sei.

Ignorei o tom debochado dele e fui direto para o balcão, analisando o cardápio.

- Só pela sua chatice, você vai pagar meu café.

- Com todo prazer. -ele disse, sem nem hesitar.

Olhei para ele, desconfiada.

- Assim, sem discutir?

- Claro. -ele se inclinou, apoiando um braço no balcão.- Se isso significa que você vai ficar mais tempo comigo e menos pensando no Luan, vale cada centavo.

Bufei e virei para o atendente.

- Um frappuccino de caramelo, por favor.

- O mesmo pra mim. -Victor disse, tirando a carteira.

Nos sentamos em uma mesa perto da janela, e eu fiquei mexendo no canudo do meu frappuccino, enquanto Victor me encarava com um sorriso de canto.

- O que foi agora?

- Só tô pensando em como o Luan vai reagir quando te ver chegando no baile comigo.

Soltei uma risada.

- Você tá muito convencido.

- Tô apenas constatando fatos. O cara te quer, Marina. Ele só finge que não.

Suspirei, desviando o olhar para a rua.

- Se ele quisesse mesmo, estaria comigo.

Victor ficou em silêncio por alguns segundos e então deu um gole no frappuccino.

- Você tem razão. Mas, por enquanto, ele tá ocupado com a Lauren. E você tá aqui comigo. -revirei os olhos.

- E qual a sua conclusão brilhante disso?

Ele sorriu de lado.

- Que, até o baile, a gente pode se divertir um pouco. -balancei a cabeça, rindo.

- Você não presta, Victor. -ele ergueu a sobrancelha.

- E você adora.

Victor me olhava com aquele sorriso convencido, como se soubesse de algo que eu não sabia. Mas eu já estava cansada desse joguinho.

- Sabe, Victor. -comecei, girando novamente o canudo no frappuccino.- Você e o Luan têm algo em comum.

- Além do fato de que você nos acha irresistíveis? -ele brincou, dando um gole no café. Revirei os olhos.

- Além disso. Vocês dois só querem transar comigo e nada mais.

O sorriso dele diminuiu um pouco, mas ainda estava lá.

- E isso te incomoda?

- Não sei. Talvez. -cruzei os braços e olhei para a rua.- Ou talvez eu só tenha percebido que, seja com você ou com ele, o final é sempre o mesmo.

Victor me observou por alguns segundos antes de falar:

- Você tá dizendo que queria algo sério com ele?

Soltei uma risada sem humor.

- Eu tô dizendo que talvez eu não seja digna de algo mais sério.

Ele franziu o cenho.

- Que besteira é essa, Marina?

Dei de ombros.

- Se fosse só o Luan, beleza. Mas você também. E se os dois caras com quem eu me envolvo só querem sexo, talvez o problema seja eu.

Victor balançou a cabeça, descrente.

- Para com isso. Você é incrível, e qualquer um que não queira algo sério com você é porque é burro, não porque você não é digna.

Suspirei.

- Então por que ninguém quer?

Ele me olhou por um instante, como se estivesse escolhendo as palavras. Então sorriu de lado.

- Talvez porque, no fundo, você também só queira isso.

Mordi o lábio, pensativa. Será que era verdade? Será que eu só estava incomodada porque agora parecia que o jogo tinha virado?

Victor estalou os dedos na minha frente.

- Ei, nada de crise existencial agora. Você ainda tem um baile pra ganhar.

Soltei uma risada e tomei um gole do frappuccino.

- Você realmente acha que vamos ganhar?

Ele sorriu.

- Se depender da nossa química, sem dúvida.

Revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso.

Meu celular começou a vibrar em cima da mesa, a tela acendeu com o nome “Mãe” e era uma chamada de vídeo. Antes que eu pudesse pegar, Victor foi mais rápido e atendeu, com um sorriso travesso no rosto.

- Oi, sogrinha!

- VICTOR! -gritei, tentando arrancar o celular da mão dele, mas ele afastou e continuou com a cara mais cínica do mundo.

Minha mãe apareceu na tela, claramente confusa.

- Sogrinha? -ela repetiu, estreitando os olhos.

Victor sorriu ainda mais.

- É, dona… -ele olhou para mim, esperando que eu completasse.

- Liana! -falei entre dentes, ainda tentando pegar o celular.

- Isso! Dona Liana! É um prazer finalmente falar com a senhora. Marina fala de mim o tempo todo.

Minha mãe cruzou os braços.

- Ah, é mesmo? Engraçado, porque ela nunca mencionou você.

Eu finalmente consegui puxar o celular de volta e olhei para a tela, já esperando um interrogatório.

- Mãe, ignora esse idiota, ele tá só querendo aparecer.

- Idiota não, genro dedicado! -Victor corrigiu, rindo, se sentando do meu lado.

Minha mãe arqueou uma sobrancelha.

- Genro, é? Então você é o namorado da minha filha?

- NÃO! -falei rápido, enquanto Victor apenas deu de ombros.

- Ainda não, mas tô trabalhando nisso.

Minha mãe riu.

- Esse pelo menos tem coragem de admitir. Diferente de um certo projeto de cantor que finge que não gosta da minha filha…

Revirei os olhos.

- Mãe, pelo amor de Deus…

Victor arregalou os olhos, interessado.

- Certo projeto de cantor? Quem, sogrinha?

Minha mãe sorriu misteriosa.

- Se Marina não te contou, não sou eu que vou contar.

Eu gemi de frustração.

- Eu vou desligar!

- Tá bom, tá bom, sem segredos. Só liguei pra saber como você tá, minha filha.

- Tô bem, mãe.

- Se precisar de alguma coisa, me avisa, tá?

- Eu sei.

Minha mãe olhou para Victor mais uma vez.

- E você, se quiser ser meu genro, vai ter que merecer minha filha.

Victor piscou para a tela.

- Eu adoro um desafio, sogrinha.

Desliguei antes que ele falasse mais alguma besteira. Soltei um suspiro e encarei Victor, que sorria satisfeito.

- Você é insuportável! -ele deu um gole no frappuccino e sorriu.

- Mas admito que sua mãe tem bom gosto.

- Cala a boca, Victor.

Ele riu, e eu não consegui segurar um sorriso também.

Victor me olhou com um sorrisinho curioso, batucando os dedos na mesa.

- Então, Marina… quem é o tal “certo projeto de cantor” que sua mãe falou?

Dei de ombros, pegando meu café como se11 não tivesse ouvido.

- Sei lá, minha mãe fala muita coisa…

- Ah, qual é! -ele se inclinou sobre a mesa, me olhando com aquele brilho provocador nos olhos.- A sogrinha praticamente entregou o jogo. A única pessoa que poderia ser é…

- Tá, me diz uma coisa, Victor… -o interrompi, cruzando os braços.- Se você já sabe a resposta, por que continua perguntando?

Ele riu.

- Porque eu gosto de te ver tentando fugir. -revirei os olhos, mas ele não parou.- Falando nisso, me responde uma coisa…

- Se for mais uma pergunta idiota, eu vou embora.

- Por que você ainda perde tempo com o Luan, se tem a mim? -ri debochada.

- Porque quando eu canso de você, pelo menos tenho outra opção.

Ele levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido.

- Nossa, que cruel…

- São os fatos.

Ele balançou a cabeça, ainda rindo, mas depois estreitou os olhos.

- Mas, sério… por que você não me enche o saco do jeito que enche o dele?

- O que você quer dizer com isso?

- Eu fico com outras meninas também. Mas você nunca fala nada. Nunca faz cara feia. Nunca me provoca.

Dei de ombros.

- Ué, porque eu sei que você faz isso. 

- Ah, então o problema é que eu sou exposto?

- Não, Victor. O problema é que você acha que só você pode jogar esse jogo.

Ele riu e bebeu um gole do frappuccino.

- Mas, se serve de consolo, minha única fixa é você. Eu só vario as outras. -bufei.

- Nossa, parabéns. Você ainda consegue ser pior que eu.

Ele abriu um sorriso convencido.

- Eu tento.

Revirei os olhos e peguei mais um gole do eu frappuccino, tentando ignorar o fato de que, por mais irritante que ele fosse… eu ainda gostava da companhia dele.

Victor me observava com aquele sorrisinho irritante, claramente se divertindo com a nossa conversa.

- Mas e você? Eu sou seu fixo também ou o Luan tem esse privilégio? -levantei a sobrancelha.

- Qual a diferença?

- Ué, quero saber se estamos no mesmo nível de canalhice ou se você ainda tá me deixando para trás. -revirei os olhos.

- Victor, para de encher o saco.

Ele riu e tomou mais um gole do café.

- Eu só fico curioso, sabe? Porque você reclama que eu sou pior que você, mas no fim, você ainda volta pro Luan toda vez.

- E você sempre volta pra mim, então estamos quites.

- A diferença é que eu não finjo que não me importo. -cruzei os braços e o encarei.

- O que você quer dizer com isso?

Ele se inclinou sobre a mesa, me olhando nos olhos.

- Que você fica pagando de desapegada, mas todo mundo sabe que se o Luan resolvesse namorar de verdade, você ia surtar. -ri debochada.

- E você acha que seria diferente se eu decidisse namorar com alguém? -ele deu de ombros.

- Talvez.

- Talvez o quê?

- Talvez eu esteja esperando você tentar pra ver como eu reajo.

O jeito que ele falou, tão tranquilo e seguro, me irritou.

- Ah, então você quer brincar comigo? -ele sorriu.

- Eu só gosto de te ver tentando fingir que não liga.

- Você é um insuportável, Victor.

- Eu sei. -suspirei e olhei para o celular.

- Vou embora. Você vai também?

- Eu vou passar na casa do meu pai pra pegar alguns pertences. Mas adoraria te fazer companhia de volta pro campus.

- Então tô indo. Já aguentei seu ego o suficiente por hoje.

Ele riu e pegou minha mão antes que eu me levantasse.

- Marina, espera. -olhei para ele com impaciência.

- O que foi?

Ele me olhou por alguns segundos, como se estivesse decidindo algo.

- Só quero que você saiba que, por mais que a gente brinque, eu gosto de verdade da sua companhia.

Fiquei em silêncio por um momento. Victor podia ser um idiota, mas às vezes ele falava coisas que me pegavam de surpresa.

- E se você algum dia quiser levar isso aqui um pouco mais a sério… -ele continuou, dando um sorriso de canto.- É só falar.

Engoli em seco e soltei minha mão da dele devagar.

- Vou pensar no seu caso, Romeu. -ele riu.

- Até mais, Julieta.

Saí do Starbucks sentindo que essa conversa ainda ia me perseguir por um bom tempo.

Quando cheguei ao meu dormitório, joguei a sacola da fantasia na cama e respirei fundo. A conversa com o Victor tinha me deixado com um peso no peito. Ele já tinha dado a entender que gostava de mim, mas e o Luan? Eu sentia que merecia uma resposta.

Peguei o celular e abri a conversa com ele.

"Vem aqui. Preciso falar com você."

Luan visualizou na hora e respondeu:

"Cheguei no campus agora. Dá cinco minutos."

Cinco minutos depois, ouvi batidas na porta. Desci e abri a porta, dando de cara com ele, encostado no batente com aquele sorrisinho convencido.

- Pelo jeito sua tarde com o Victor não foi tão boa. -ele brincou, entrando no dormitório sem ser convidado. Revirei os olhos e fechei a porta.

- Não te chamei pra isso. Vem, vamos subir.

Nós subimos pro meu quarto, ele entrou e se jogou na minha cama, apoiando os braços atrás da cabeça, enquanto eu fechava a porta.

- Então, pra quê me chamou aqui?

Fiquei de pé, olhando para ele.

- A gente já tá nessa há quase dois meses. E eu quero saber uma coisa. -ele arqueou a sobrancelha.

- Fala. -cruzei os braços, hesitante.

- O Victor me perguntou hoje por que eu ainda me envolvo com você.

O sorriso dele diminuiu um pouco.

- E o que você respondeu?

-- Que quando eu me canso dele, pelo menos tenho outra opção. -Luan riu, mas sem humor.

- Bonito de se ouvir.

Suspirei.

- Não é disso que se trata. Eu quero saber o que você sente por mim.

Ele desviou o olhar, passando a mão no cabelo.

- Que tipo de pergunta é essa? -me aproximei.

- Uma bem simples. Você sente alguma coisa por mim ou é só sexo ? -ele ficou em silêncio por um momento, depois se sentou na cama.

- Por que essa conversa agora?

- Porque eu me sinto indigna de alguém me levar a sério. -ele franziu o cenho.

- Quem te disse isso?

- Eu mesma. Olha pra mim, Luan. Eu fico com você, fico com o Victor, e no fim do dia, sou só um passatempo pra vocês dois.

Ele bufou, parecendo impaciente.

- Você não é um passatempo.

- Então o que eu sou pra você?

Ele me olhou por alguns segundos, como se estivesse travando uma luta interna.

- Você quer uma resposta bonita?

- Quero a verdade.

Ele passou a língua pelos lábios, desviando o olhar de novo.

- Eu não sei o que você quer ouvir, Marina. Mas se fosse só sexo, eu já teria enjoado.

Meu coração deu um salto, mas mantive minha expressão firme.

- E o que isso quer dizer?

Luan suspirou, passando as mãos no rosto.

- Que você me deixa louco. Que eu fico puto quando vejo você com o Victor. Que eu penso em você mais do que deveria. -me aproximei um pouco mais.

- Então por que você não assume? -ele levantou, ficando perto de mim.

- Porque eu não sei se eu consigo.

Engoli em seco, sentindo minha respiração falhar.

- Você tem medo?

Ele apertou a mandíbula.

- Medo de te perder. Medo de dar errado, o que a gente tem agora, dá certo, mas e se a gente tentar algo mais sério e não funcionar?

Nos encaramos por longos segundos. Eu não sabia o que dizer. Ele estava admitindo, do jeito dele, que sentia algo por mim.

- Luan…

- Marina, se eu me jogar nisso, eu vou querer você só pra mim. -meu coração disparou.

- E se eu quiser o mesmo?

Ele ficou em silêncio, me analisando. Então, num impulso, segurou meu rosto e me beijou. Um beijo lento, diferente dos outros. Como se estivesse deixando cada palavra não dita ali.

Quando nos separamos, ele encostou a testa na minha.

- Você me deixa maluco, Marina. -sorri de leve.

- Eu sei.

A questão era: o que a gente faria com isso agora?

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