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Capítulo 14

Bruna Narrando

Andar por Nova York à noite sempre me trazia uma sensação diferente. As luzes, o movimento, as pessoas vivendo suas vidas como se estivessem dentro de um filme… Eu adorava aquilo.

Harry e eu caminhávamos lado a lado, as sacolas das nossas fantasias balançando conforme andávamos.

- Tenho que admitir, Bruna, nós vamos ser o casal mais estiloso da festa. -ele comentou, ajeitando os cabelos. Revirei os olhos, rindo.

- Primeiro: não somos um casal. Segundo: claro que vamos, eu sou uma futura estilista, lembra? -ele riu, balançando a cabeça.

- Sim, você me lembra disso umas dez vezes por dia.

- Porque eu sei que você tem memória ruim.

-Eu só lembro do que importa.

Olhei para ele de canto de olho, desconfiada.

- E eu não sou importante?

Ele fingiu pensar.

—-Você é a minha acompanhante da festa… Então sim, eu diria que você tem um grau de importância.

Empurrei o ombro dele de leve, fingindo estar ofendida.

- Que grosso!

Ele gargalhou, passando o braço ao redor do meu pescoço de um jeito descontraído.

- Tá brincando? Eu te acho incrível, Bruna.

Abaixei o olhar, sentindo meu rosto esquentar. Eu sabia que Harry era naturalmente charmoso e falava coisas bonitas o tempo todo, mas, de alguma forma, ouvir aquilo me atingiu de um jeito diferente.

Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou no bolso da jaqueta. Peguei e vi uma mensagem de Justin.

"Já escolheu sua fantasia, pequena?"

Mordi o lábio, segurando um sorriso, e respondi.

"Óbvio. Harry e eu vamos arrasar."

Ele respondeu rápido.

"Hm. Mal posso esperar pra ver."

Não sabia dizer se aquela resposta tinha um tom provocativo ou só amigável, mas, de qualquer forma, meu estômago revirou.

Harry olhou para mim com um sorriso de lado.

- Bieber?

- Sim. -respondi sem nem tentar esconder. Ele ergueu uma sobrancelha.

- Você e ele têm algo, não têm?

Bufei.

- Eu saio com ele. Isso não significa nada.

- Sei… -ele murmurou, como se não acreditasse em mim.

Fiquei em silêncio por alguns segundos antes de perguntar:

- E você? Tem alguém? -Harry sorriu de canto.

- Algumas. Mas nenhuma que eu considere irrelevante.

Fiz uma careta.

- Mas fala sério, Bruna… -ele parou de andar e me olhou de um jeito mais sério.- O Bieber mexe com você?

Desviei o olhar para a cidade iluminada à nossa volta.

- Eu não sei.

Harry apenas sorriu de leve, como se já soubesse a resposta antes mesmo de mim.

Depois de algumas horas andando por Nova York, decidimos voltar para o campus.

- Nada como um pouco de responsabilidade para nos lembrar que não somos só jovens livres e descompromissados. -Harry comentou com um suspiro dramático enquanto caminhávamos de volta.

Revirei os olhos.

- Você nem é tão irresponsável assim.

- Você tem razão. Sou um aluno exemplar. -ele disse com um sorriso convencido.

- Não chega a tanto… -provoquei.

Quando paramos na frente do prédio do dormitório feminino, ele se virou para mim, segurando minhas mãos.

- Então… Boa noite, Bruna.

- Boa noite, Harry. -sorri de leve.

Ele ficou me encarando por um instante e, antes que eu percebesse, já tinha encurtado a distância entre nós e encostado os lábios nos meus.

O beijo foi rápido, mas firme. Não foi um daqueles beijos intensos, mas também não foi um selinho qualquer. Um meio-termo perigoso.

Quando ele se afastou, sorriu de lado.

- Agora sim, boa noite.

Fiquei olhando enquanto ele se afastava, caminhando tranquilamente para o prédio do dormitório masculino.

Respirei fundo, tentando não pensar demais sobre aquilo, e entrei.

Estava um silêncio no andar debaixo, que achei até estranho, subi as escadas e vi o quarto de Chloe e Virgínia fechados, o da Marina estava aberto e ela estava lá, sentada na cama dela, olhando fixamente para o celular.

Ela nem percebeu quando entrei, o que era estranho.

- Terra chamando Marina. 

Ela ergueu os olhos e soltou um suspiro.

- Oi.

- Nossa, que animação. -comentei, colocando minhas sacolas no chão.- O que foi?

Ela hesitou por um segundo antes de responder:

- Chamei o Luan para conversar.

Arqueei uma sobrancelha.

- Conversar? Vocês só fazem duas coisas quando estão juntos: brigar ou transar.

Ela riu de leve, mas logo ficou séria.

- Eu queria saber se ele sente alguma coisa por mim.

Parei no meio do quarto, surpresa.

- Uau. E… ele disse o quê?

Marina soltou um suspiro frustrado.

- Não disse. Quer dizer, ele não admitiu nada. Mas eu vi no jeito que ele me olhava… Ele sente. Só não quer aceitar.

Me sentei na cadeira da escrivaninha, cruzando as pernas.

- E você? O que sente?

Ela olhou para baixo, brincando com a barra da blusa.

- Eu não sei, Bruna. Eu fico com Victor, fico com Luan… Nenhum dos dois é oficialmente meu, mas, ao mesmo tempo, eu gosto de estar com eles.

- E os dois gostam de você. -completei. Ela riu sem humor.

- É. E eu não sei o que fazer com isso. -suspirei.

- Você quer um conselho de alguém que também não sabe o que está fazendo da vida amorosa?

- Claro.

- Para de pensar tanto. Você gosta dos dois? Aproveita. Nenhum de vocês está namorando, ninguém tem que se prender a ninguém. Vai vivendo e vê no que dá.

Marina me olhou por alguns segundos e depois sorriu de leve.

- Você tem razão.

- Eu sei. -pisquei.

Ela jogou um travesseiro em mim, e eu ri.

Peguei o celular e vi uma nova mensagem de Justin.

"Já chegou?"

Mordi o lábio, sentindo um frio estranho na barriga.

"Sim. Tô no quarto da Marina."

Ele respondeu rápido.

"Ah, então não posso te sequestrar agora."

"Nossa, que pena."

Depois de trocar mensagens com Justin, coloquei o celular em cima da escrivaninha e suspirei. Eu realmente não sabia o que estava acontecendo entre nós. Não éramos um casal, mas também não éramos só amigos. Ele saía com Alicia, eu saía com Harry, mas, no fim do dia, era com ele que eu trocava mensagens antes de dormir e compartilhavamos vídeos no Tik Tok.

Marina me olhou de canto de olho.

- Tá pensando no Justin, né?

Fiz uma careta.

- E se eu estiver?

Ela riu.

- Você e ele são piores que eu e o Luan.

- Nada a ver.

- Ah, não? Então me diz… Se ele aparecer aqui agora e disser que quer você só pra ele, o que você faz?

Eu abri a boca para responder, mas parei. Porque… eu não sabia a resposta.

E, pelo jeito que Marina arqueou a sobrancelha, ela percebeu.

- Tá vendo? -ela disse, rindo.

- Ai, cala a boca. -revirei os olhos, mas acabei rindo também.

Ela se jogou na cama dela, virando de lado para me olhar.

- Sabe o que é engraçado? A gente sempre fala que não quer nada sério, que tá tudo bem assim… Mas no fundo a gente espera alguma coisa.

- Eu não sei o que eu espero.

- Nem eu. -Marina admitiu.- Mas algo me diz que esse baile de Halloween vai bagunçar tudo ainda mais.

Suspirei.

- A gente tá lascada, né?

- Totalmente. -ela riu.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que o celular dela vibrou. Ela olhou a tela e fez uma cara estranha.

- O que foi?

Ela hesitou, depois virou o celular para mim. Era uma mensagem do Luan.

"Ainda pensando na nossa conversa?"

Olhei para ela.

- Você vai responder?

Marina mordeu o lábio, pensativa.

- Talvez. Mas não agora.

Eu sorri.

- Faz ele esperar um pouquinho.

Ela riu, bloqueando o celular.

- Boa ideia.

E, mesmo sem dizer nada, eu sabia que ela também estava confusa.

Porque, no fim, a gente sempre espera alguma coisa. Mesmo quando finge que não.

Alguns dias depois...
Quinta-feira, 31 de Outubro de 2024

O campus estava mais animado do que o normal. Já era Halloween, e, mesmo durante as aulas, dava pra sentir que todo mundo só queria que o dia passasse logo. Alguns alunos já tinham entrado no clima, como a Marina, que desfilava pelo corredor com um par de orelhas de diabinha e um sorrisinho convencido no rosto.

- Eu não acredito que você vai passar o dia inteiro com isso. -resmunguei, enquanto caminhávamos juntas até a sala.

- Qual é, Bruna! -ela girou nos calcanhares, se exibindo.- Eu tô incrível.

- Humildade mandou lembranças. -retruquei, rindo.

- Eu só tô preparando as pessoas pra noite. -ela piscou.- Se agora já tô assim, imagina depois?

Antes que eu pudesse responder, ouvimos uma voz atrás de nós.

- Sempre precisando chamar atenção, né, Marina?

Nos viramos ao mesmo tempo e encontramos Chloe nos encarando com os braços cruzados. Ela olhou para Marina com um sorrisinho debochado, e eu senti o sangue ferver.

Mas Marina apenas riu.

- Você percebeu, né? Então quer dizer que funcionou. -Chloe revirou os olhos e deu um passo mais perto.

- Pelo menos tenta não fazer papel de ridícula hoje à noite, tá bom? -Marina ia responder, mas eu me adiantei, cruzando os braços.

- Não tem perigo, Chloe. Esse papel é todo seu e não tem que tire. -Chloe bufou e deu um passo para trás.

- Tanto faz. -disse antes de sair andando.

Marina me olhou com um sorriso satisfeito.

- Olha só, Bruna Santana defendendo minha honra. -revirei os olhos.

- Cala a boca e anda logo, senão vamos nos atrasar.

Ela riu, e seguimos para a sala, mas eu sabia que Chloe ainda não tinha engolido o que aconteceu aquele dia.

O dia se arrastou. Todos os professores pareciam fingir que não notavam a inquietação da turma, mas eu duvidava que alguém estivesse prestando atenção de verdade. Em algum momento, recebi uma mensagem de Harry.

“Animada pra hoje à noite, gata?”

Sorri e respondi.

“Se eu disser que prefiro ficar dormindo, você vai me matar?”

“Vou. Se você não for, eu vou sozinho e vou ficar muito gostoso de coringa. Mas se você for… bom, talvez a gente encontre algum canto escuro pra aproveitar melhor a noite ;)”

Balancei a cabeça, rindo. Harry era um cretino, mas ele sabia me convencer.

“Ok, você me convenceu. Nos vemos à noite.”

Mal podia esperar para ver como a noite ia se desenrolar.

Depois das aulas, fomos direto para o dormitório para começar a transformação. A noite prometia, e ninguém queria aparecer no baile sem estar impecável.

Marina estava sentada na minha frente, segurando um pincel com base branca enquanto me analisava com um olhar crítico.

- Fica quieta, Bruna, senão eu vou borrar. -ela avisou, concentrada.

- Ai, será que eu vou ficar parecendo um fantasma? -perguntei, sentindo o cheiro da base invadir meu nariz.

- Confia no processo. -Marina retrucou, começando a espalhar o produto no meu rosto.

Olivia estava escovando meu cabelo, preparando-o para fazer as maria-chiquinhas bagunçadas da Arlequina.

- Eu ainda acho que você devia ter pintado o cabelo de verdade. -provocou Olivia, separando as mechas.

- Tá doida? Eu não ia sair da personagem nunca mais! -exclamei, me segurando para não mexer a cabeça.

- Eu pintei o meu e não morri. -Virginia comentou, dando de ombros.

- Mas o seu era temporário! -rebati.

- O seu também é, Bruna. -disse Virginia, segurando as latinhas de spray colorido. Suspirei, rendida.

- Tá bom, tá bom. Só faz direito.

Marina começou a esfumar a sombra azul em um dos olhos e a rosa no outro. Seu olhar era cheio de concentração, como se estivesse pintando uma obra-prima.

- Ai, amiga, eu tô te deixando perfeita. Harry vai babar.

- Eu espero que sim, porque isso tá uma tortura.

Marina riu e passou para o delineador, enquanto Olivia prendia uma maria-chiquinha e começava a fazer a outra.

- Agora, Virg, finaliza ela — Olivia chamou.

Virginia se aproximou com as latinhas de spray azul e rosa.

- Se prepara, Bruna. Isso tem cheiro de álcool puro.

- Se meu cabelo cair, eu juro que mato vocês três. -ameacei, fechando os olhos.

- Ai, para de drama! -Marina revirou os olhos, dando um tapinha leve na minha testa.

Virginia começou a aplicar o spray, tingindo uma mecha de azul e outra de rosa, completando o visual.

- Ficou muito bom! -Olivia exclamou, batendo palmas.

Marina pegou o espelho e o posicionou na minha frente.

- E então? O que achou?

Olhei minha própria imagem e fiquei surpresa. Meu rosto estava perfeitamente caracterizado, a maquiagem impecável, e meu cabelo completava tudo.

- Meu Deus, tá perfeito! -sorri, encantada.

- Claro que tá, fui eu que fiz. -Marina se gabou, piscando.

- Agora só falta você, Mulher-Gato. -Virginia disse, apontando para Marina.

Marina sorriu maliciosa e se sentou na cadeira pra fazer sua maquiagem.

- Se preparem, meninas. Vou causar essa noite.

Fui fazer o cabelo de Olívia, enquanto Marina esrava completamente concentrada, deslizando um pincel fino pelo seu colo. Eu observava fascinada o desenho ganhando forma — três arranhões profundos, vermelhos e sombreados para dar a ilusão de que sua pele havia sido rasgada.

- Isso tá muito real! -exclamei, apertando os olhos para ver os detalhes.

- Obrigada, querida. -Marina sorriu de lado, ainda focada no pincel.- Eu fiz um curso básico de maquiagem quando tinha doze anos, mas quando fiz quinze, me apaixonei por maquiagem artística e fiz outro curso.

- Jura? Você nunca contou isso! -falei, impressionada.

- Pois é, segredos de família. -ela brincou, soprando de leve para secar a tinta.

Enquanto isso, eu prendia o cabelo de Olivia, dividindo em duas tranças.

- Para de mexer a cabeça! -reclamei quando ela se virou para olhar o que Marina estava fazendo.

- Desculpa, mas tá ficando muito bom! Parece que alguém realmente te arranhou! -Olivia elogiou.

- Essa é a intenção. -Marina respondeu, pegando uma esponja e batendo de leve para esfumar as bordas do desenho.

Virginia estava sentada na cama, se maquiando sozinha no espelho de mão. Ela já tinha feito um esfumado preto dramático nos olhos e estava finalizando os lábios vermelhos.

- Pronto, terminei! -Marina anunciou, sorrindo satisfeita.

- Agora só falta o batom. -Olivia disse.

Marina pegou um batom vinho escuro e passou nos lábios com precisão, depois deu um sorrisinho no espelho.

- Agora sim. Mulher-Gato está pronta para atacar.

- Meu Deus, Marina, você tá incrível! -falei, admirando sua maquiagem completa.

Ela levantou e fez uma pose dramática.

- Isso porque vocês ainda não viram o macacão.

- Acho que vamos ser as mais lindas da festa. -Olivia disse, rindo.

- Isso é um fato. -Virginia completou.

Nos olhamos pelo espelho e começamos a rir. A noite estava só começando.

Algumas horas depois, nós quatro nos reunimos na sala do dormitório, completamente prontas. Eu girava na frente do espelho, analisando os detalhes da minha fantasia de Arlequina. O conjunto vermelho e azul brilhava sob a luz do abajur, e a jaqueta combinando completava o visual. A maquiagem impecável que Marina tinha feito me deixava ainda mais confiante.

Marina estava simplesmente deslumbrante de Mulher-Gato. O macacão colado ressaltava suas curvas e a máscara preta nos olhos dava um ar misterioso. Olivia estava perfeita como Wandinha, com um vestido preto de gola branca e tranças bem alinhadas. Já Virgínia, de Anjo Caído, usava um vestido preto curto e um par de asas escuras que faziam um contraste incrível com a maquiagem iluminada.

Antes que pudéssemos sair, alguém bateu na porta. Olivia, que estava mais perto, abriu, revelando Harry e Victor.

- Olha só, meu Coringa! -falei, sorrindo ao ver Harry com seu terno roxo e a maquiagem verde e branca impecável.

Ele me analisou de cima a baixo, um sorriso de canto nos lábios.

- Arlequina mais linda que eu já vi. -ele elogiou, segurando minha cintura e me puxando para um beijo rápido.

Ao lado dele, Victor apareceu com uma fantasia de Batman perfeitamente ajustada, com capa, máscara e tudo mais. Ele olhou diretamente para Marina, que cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.

- E não é que no fim das contas nossas fantasias combinaram? -ela disse, rindo.

Victor abriu um sorriso convencido.

- Era o destino, Gatinha.

Ela revirou os olhos, mas deu um sorrisinho divertido.

- Se você me chamar assim de novo, eu arranho você de verdade.

Olivia bufou, impaciente.

- Tá, o casal morcego pode flertar no caminho? Já estamos atrasados.

Todos rimos e seguimos para a festa, prontos para arrasar no Halloween.

Assim que Harry e eu entramos no salão decorado com luzes roxas e laranjas, sentimos os olhares se voltarem para nós. Era impossível não notar o impacto da nossa entrada. 

Por um instante, senti um frio na barriga. Não era exatamente insegurança, mas aquela sensação estranha de ter todos te observando ao mesmo tempo. Mantive a postura confiante, segurando firme a mão de Harry, mas então meus olhos encontraram os de Justin.

Ele estava encostado na parede, segurando um copo vermelho, vestindo uma fantasia de jogador de hóquei. A camisa preta e vermelha, os detalhes rasgados na roupa e a máscara de goleiro pendurada no pescoço davam a ele um ar perigoso e atraente ao mesmo tempo. Mas o que realmente chamou minha atenção foi Alicia, ao lado dele, usando uma fantasia combinando, claramente representando uma líder de torcida de filme de terror.

Senti meu estômago revirar por um segundo. Claro que ele estaria ali com ela. Claro que suas fantasias combinavam.

Justin segurava o copo nos lábios, mas não bebia, apenas me encarava com a testa levemente franzida. Alicia, ao perceber meu olhar sobre eles, sorriu com superioridade e deslizou um braço ao redor da cintura de Justin, que continuava me olhando, inexpressivo.

- Bru, você tá bem? -Harry perguntou baixinho, me puxando levemente pela mão.

Pisquei algumas vezes e virei para ele, forçando um sorriso.

- Claro. Vamos pegar algo pra beber?

Harry sorriu, assentindo, e seguimos em direção ao bar. Mas eu sentia ainda os olhos de Justin queimando em mim.

Me mantive firme, ignorando o olhar de Justin enquanto seguia com Harry até o bar. A música animada fazia o chão vibrar, e a decoração do salão estava impecável—teias de aranha falsas, abóboras iluminadas e até alguns esqueletos espalhados pelos cantos. O clima estava perfeito para o Halloween.

- O que vai querer beber, minha cara Arlequina? -Harry perguntou, divertido, se apoiando no balcão e olhando para mim com um sorriso.

- Acho que só uma soda por enquanto. -respondi, tentando me distrair.

Harry fez o pedido e, enquanto esperávamos, meus olhos involuntariamente procuraram por Justin novamente. Ele ainda estava no mesmo lugar, mas agora conversava com Ryan e Anthony. Alicia estava grudada nele, falando algo animada, mas ele parecia distante, apenas acenando com a cabeça de vez em quando.

- Se você olhar mais um pouco, vai acabar desmascarando seu teatrinho. -Harry comentou ao meu lado, com um tom de provocação.

Meu olhar voltou para ele no mesmo instante, e eu revirei os olhos.

- Não sei do que você tá falando.

- Ah, claro que não. -ele riu, entregando-me meu copo.- Você e o Bieber fazem um trabalho péssimo tentando fingir que não ligam um pro outro.

- Eu não ligo. -menti descaradamente, tomando um gole da minha soda.

Harry arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

- Então não vai se incomodar se eu te puxar pra pista agora e te beijar na frente de todo mundo?

Fiquei em silêncio por um segundo. Ele riu, percebendo minha hesitação.

- Relaxa, Bruninha. Eu não sou tão mal assim. Mas fica esperta… aquele ali tá te devorando com os olhos.

- Cala a boca, Harry. -murmurei, dando um soco fraco no braço dele, mas não resisti e olhei para Justin de novo.

E foi um erro.

Dessa vez, ele não desviou o olhar. Pelo contrário, manteve os olhos fixos em mim enquanto dava um gole em sua bebida. Alicia ainda falava ao lado dele, mas Justin parecia alheio, quase como se estivesse esperando para ver o que eu faria a seguir.

Suspirei, sentindo um leve incômodo no peito.

- Vem, vamos dançar. -puxei Harry pela mão.

Se Justin queria brincar de fazer ciúmes, eu também sabia jogar.

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