Marina Narrando
Já era final de agosto. Eu estava mergulhada na correria das gravações de Tremembé. A rotina era exaustiva, pois eu tinha que copiar gestos e manias de uma pessoa real — a Suzane Von Richthofen. Muitas vezes, mesmo em casa, enquanto a Serena brincava, eu estava assistindo a vídeos de entrevistas e lendo o material que eu tinha. Interpretar uma pessoa tão psicopata não era fácil, mas eu tentava dar o meu melhor.
Eu me sentia culpada por deixar Serena muitas vezes com a babá ou dormindo na casa dos pais do Luan. Às vezes, eu precisava gravar de madrugada e voltava para casa às 3 da manhã, exausta. Eu já não era uma pessoa tão presente em casa, mas estava feliz.
O Luan também estava no seu melhor momento da carreira, fazendo muitos shows. Ele tentou reduzir a agenda para ficar com a Serena, mas a procura por ele estava alta por ele estar 100% no Brasil agora. Daqui a três dias, ele faria show na maior Festa do Peão do Brasil, lá em Barretos, e eu queria muito ir com ele. Estava adiantando minhas cenas o máximo que conseguia, mas isso não dependia só de mim, mas das outras atrizes também.
Naquela semana, por ter aumentado um pouco a minha demanda, eu sentia um mal-estar constante no camarim. Às vezes, gravava mesmo passando mal, disfarçava, não queria parar. Eu não podia atrasar o cronograma.
Agora, eu estava em cena com a Letícia Rodrigues — ela interpreta a Sandrão na série. Eu estava sentindo minha pressão ir lá para baixo, mas estava firme e forte, focada no diálogo.
De repente, a diretora gritou no meio da cena:
- Corta!
Eu e Letícia ficamos sem entender. A diretora correu até mim, com uma expressão preocupada.
- Marina, está tudo bem com você?
Engoli seco e forcei um sorriso.
- Sim, está. Por quê?
- Você está pálida, e isso está aparecendo na cena.
Letícia concordou, séria.
- Eu também notei, Marina. Sua boca foi perdendo a cor enquanto você falava, parecia que ia desmaiar.
Eu tentei me levantar para dizer que estava bem, que era só cansaço, mas foi tarde demais. A tontura veio como um soco. A imagem da câmera e da equipe girou, e eu apaguei.
Acordei em uma cama desconhecida, sob a luz branca e fria de um hospital. Senti uma leve picada no braço; havia um soro sendo administrado na minha veia. Eu estava completamente desorientada.
Uma enfermeira com um sorriso gentil estava ao meu lado, ajustando o fluxo do soro. Ela percebeu que eu havia acordado.
- Ah, que bom que acordou, Marina. -ela sorriu com alívio.- Todos estavam muito preocupados com você.
- O que... o que aconteceu? -minha voz estava fraca.
- Você está desacordada há mais de três horas, querida.
- Três horas? -arregalei os olhos, tentando me ajeitar na cama, sentar, raciocinar, mas a tontura voltou um pouco.
- Calma, fique deitada. Vou chamar a Dra. para ela vir falar com você.
Ela saiu, e eu fiquei ali, olhando ao redor, tentando lembrar o que tinha me derrubado. Eu estava vestindo uma camisola de hospital, e o cheiro de álcool e desinfetante era forte. Tentei me ajeitar novamente, e foi então que notei algo terrível.
Havia um pouco de sangue no lençol e na parte debaixo da camisola.
Meu coração disparou, e o pânico me atingiu. Meu Deus, será que eu vou morrer por estar assim? A exaustão, o desmaio, o sangue... era demais para a minha cabeça confusa.
Logo a doutora apareceu. Ela era simpática, tinha um olhar calmo e se apresentou rapidamente.
- Olá, Marina. Eu sou a Dra. Renata. Como você se sente?
- Confusa, doutora. E assustada. O que está acontecendo comigo? Por que eu desmaiei? Eu andei sentindo mal estar na última semana também, e eu vi esse sangue no lençol, eu tô doente?
A Dra. se sentou ao meu lado, com uma prancheta na mão, e começou a explicar com uma voz suave.
- O que você teve foi um desmaio por exaustão. Isso acontece quando o cansaço extremo, como o que você está vivendo, leva a uma queda repentina da pressão arterial. O cérebro não recebe sangue suficiente por um momento, e você apaga. -ela fez uma pausa.- Mas, além disso, pelo fato de você estar trabalhando demais, se esforçando... você teve um pequeno descolamento de placenta.
Eu franzi a testa, o choque me paralisando.
- Que? Como assim descolamento de placenta?
A Dra. Renata me olhou, com um misto de surpresa e preocupação.
- Você não sabia, Marina? Você está grávida.
Meu coração errou as batidas, e o mundo parou de girar. Meu corpo tremeu, e a única coisa que consegui processar foi o peso daquelas palavras: Eu não sabia.
Eu pisquei, sentindo um nó se formar na minha garganta. Grávida. Eu estava grávida.
- Não! Não é possível! -eu tentei me sentar novamente, mas a Dra. Renata me conteve gentilmente.- Eu não posso estar grávida!
A Dra. manteve a calma.
- Marina, você está, sim. Pela ultrassonografia que fizemos, você está de aproximadamente 6 semanas. Um pouco mais de um mês. Isso explica o mal-estar, a exaustão e a queda de pressão.
Seis semanas. Isso era um mês e duas semanas. Com certeza foi na viagem pra Europa. O caos das gravações, o estresse, a pressa de ir para Barretos... tudo isso tinha mascarado os sintomas. Eu simplesmente achei que era o ritmo intenso de trabalho.
- Mas... e o sangramento? E o descolamento? -minha voz estava tremendo.
- O descolamento é pequeno, mas é grave por você ter se esforçado demais, sem saber da gravidez. Ele causou esse sangramento que você viu. Você precisa de repouso absoluto. Não pode trabalhar, não pode dirigir, não pode pegar peso, muito menos a sua filha. Se você continuar com o ritmo que estava, o risco de perda é muito alto.
A notícia me atingiu com força dupla: a surpresa da gravidez e o medo de perdê-la.
- Meu Deus... Eu preciso avisar meu marido.
- Você precisa se acalmar. Ele será avisado. Mas, no momento, seu foco é aqui. Você vai ficar em observação no hospital por, pelo menos, 48 horas. Você precisa parar de trabalhar agora, Marina. A prioridade é esse bebê.
Eu afundei no travesseiro. Meu corpo estava em choque, minha mente estava em pânico. Não era só o susto do desmaio; eu estava grávida e correndo risco de perder meu filho com o Luan.
- Preciso ligar para ele. -eu consegui balbuciar.
A Dra. Renata assegurou que eu estaria sob os melhores cuidados, disse que voltaria para checar a situação e que pediria para trocarem meu lençol e a camisola por conta do sangue.
Eu agradeci, e assim que ela saiu, vi meu celular na mesinha de cabeceira e o alcancei.
O Luan estava em Santa Catarina e viria para São Paulo para nos encontrarmos e irmos juntos para o show em Barretos. A viagem seria de ônibus com a banda, levaria no máximo 5 horas. E agora eu nem poderia ir mais.
Digitei o número dele.
O celular chamou três vezes até ele atender.
- Oi, amor! -a voz dele era de cansaço, mas alegre.- Eu acabei de chegar em São Paulo. Tô indo pegar a van para ir para casa. Ia te ligar agora mesmo. Me diga que você não tem muita gravação hoje, porque estou morrendo de saudade e preciso de um abraço e um beijo seu.
Eu respirei fundo, tentando manter a calma para não alarmá-lo.
- Luan, eu não estou gravando.
- Ah, que ótimo! -ele disse, aliviado.
- Amor, não se alarme. Mas... eu passei mal.
O silêncio do outro lado foi instantâneo. O alívio dele se transformou em tensão.
- Como assim "passou mal", Marina? O que aconteceu? Você está em casa? Por que a voz está assim?
- Eu estou no hospital. Eu desmaiei no set de gravação hoje de manhã. Mas não foi nada grave, foi exaustão, a médica disse...
Eu não consegui terminar. A palavra "hospital" foi o suficiente para fazê-lo entrar em surto e desespero.
- Hospital? Puta merda, Marina! Você está no hospital? Me diz qual você está agora, que eu tô indo aí! Me manda a sua localização, por favor!
- Luan, calma! Eu estou bem! -gritei, mas era inútil.
- Calma nada! Me manda a localização. Eu chego logo!
Eu enviei a localização por mensagem e ele desligou. Meu coração doía por ele, sabendo que o choque da gravidez viria em minutos.
Mal tive tempo de processar o pânico do Luan. A enfermeira voltou com uma camisola nova. Ela me ajudou a levantar, e eu fui até o banheiro me trocar. Quando voltei, já haviam trocado o lençol e me trouxeram pão e chá para comer, mas eu nem sentia fome. O choque da notícia tirou todo o meu apetite.
A enfermeira estava me ajudando a me deitar, eu estava sentada na beira da cama, quando alguém bateu na porta do quarto e entrou. Era o Luan.
Ele estava de camiseta, jeans e tênis, com o rosto pálido e o cabelo bagunçado. A preocupação dele era palpável; ele parecia ter corrido uma maratona.
- Marina! O que aconteceu, meu Deus? Você está bem? -ele correu até mim.
Eu finalmente me deitei, e a enfermeira saiu, fechando a porta e nos deixando a sós.
- Eu estou bem, amor. Fica calmo. Eu desmaiei no set de gravação hoje de manhã. Foi só exaustão, a médica disse...
Ele sentou-se na beira da cama, pegando minha mão e beijando-a repetidamente. O alívio era visível em seus olhos, mas ainda havia preocupação.
- Só exaustão? Marina, não acredito que você passou por isso sozinha! Por que você não me ligou antes?
- Me desculpa. Mas agora tá tudo bem, você está aqui.
Eu apertei a mão dele. Era hora de soltar a segunda bomba, a mais importante.
- Luan, não é só exaustão. Eu andei sentindo mal-estar, e eu realmente achei que era por conta dessa rotina exaustiva da série. Mas não era.
Ele me olhou nos olhos, esperando que eu falasse, o semblante sério.
- Amor, eu estou grávida.
O silêncio caiu no quarto. Os olhos dele, já marejados pelo susto, começaram a brilhar de emoção. Ele levou a mão livre à boca, sem conseguir acreditar.
- Grávida? Você... a gente...? -ele gaguejou.
- Sim. De seis semanas. Um mês e meio. O desmaio e o sangramento foram porque eu estava me esforçando demais, sem saber. Eu tive um pequeno descolamento de placenta e preciso de repouso absoluto.
Ele não ouviu mais nada. O rosto dele se desmanchou em lágrimas de felicidade e, ao mesmo tempo, em pânico pela minha saúde.
- Meu Deus, Marina! Outro bebê! Eu vou ser pai de novo! Mas repouso? Descolamento? -ele estava confuso.- Eu não quero que você passe por nada disso sozinha. Eu vou cancelar todos os shows. Barretos, tudo! Eu vou cuidar de você.
- Luan, não! Calma. Você não pode cancelar sua turnê por isso.
- Eu posso e eu vou. Nada é mais importante que você e nosso filho.
Ele se inclinou e beijou minha barriga ainda invisível.
- Luan, escuta! Por favor! Você não pode cancelar a turnê inteira. Eu preciso de você focado. Vai para Barretos, pelo menos. É um show enorme e importante. Você me prometeu que iríamos!
Ele respirou fundo, olhando para mim.
- Barretos é perto de São Paulo, eu posso ir e voltar rápido... Eu vou para Barretos, mas os outros eu vou cancelar. Vamos renegociar a agenda. Eu vou cuidar de você.
Antes que pudéssemos discutir mais, a Dra. Renata voltou ao quarto. Ela cumprimentou Luan com um sorriso e segurava uma pastinha.
- Que bom que o pai já chegou. -ela disse, olhando a emoção dele.- Eu sei que é muita informação de uma vez, mas eu tenho algo para mostrar.
Ela explicou que, enquanto eu estava desacordada e devido ao sangramento, eles fizeram uma ultrassom abdominal.
- Foi bem difícil conseguir imagens nítidas porque, idealmente, faríamos por via transvaginal. Mas como você estava desacordada, fizemos pela barriga, e deu para ver.
Ela abriu a pasta e nos mostrou o laudo e as imagens. Era apenas um pontinho minúsculo.
- Aqui está o seu bebê, Marina. O saco gestacional. -a Dra. apontou para o pequeno círculo preto na imagem.- É um embrião de, aproximadamente, seis semanas mesmo.
Eu e Luan nos inclinamos sobre a imagem. Era tão pequenininho, mas era real. Era o nosso filho.
- É uma das coisas mais linda que eu já vi. -Luan sussurrou, os olhos brilhando mais do que nunca.
Eu senti as lágrimas escorrerem. Medo, susto, mas uma felicidade imensa.
- Ele é tão pequeno. -eu disse, com a voz embargada.
A Dra. Renata nos deu um sorriso acolhedor.
- Por isso o repouso é fundamental. Para que ele cresça forte. Ele está bem preso, mas o seu esforço não pode continuar.
Luan me beijou na testa e depois beijou a imagem na pasta.
- Eu vou cuidar de vocês dois, eu prometo.
Eu olhei para Luan, sabia que o show em Barretos era um marco enorme na carreira do Luan no Brasil. Eu não queria que ele cancelasse o evento nem que fosse sozinho, especialmente depois de um susto desses.
- Doutora... -eu chamei, determinada, olhando para a imagem minúscula do meu bebê.- Depois da alta, eu posso ir para Barretos com o Luan?
Luan me olhou, pronto para intervir e dizer "não".
- Eu juro que não vou me esforçar! Nós vamos de jatinho, é rápido. Eu fico deitada ou sentada. Mas eu quero estar com ele nesse momento importante.
A Dra. Renata pensou por um momento.
- O ideal seria o repouso domiciliar, aqui em São Paulo. Mas, se vocês forem de jatinho, minimizando o tempo de viagem, e a senhora se comprometer a repouso total no hotel, e não participar de nenhuma atividade além da presença no backstage, eu posso liberar. Mas sem stress, Marina.
- Eu prometo! -eu disse, aliviada.
Luan sorriu, beijando minha mão.
- Eu vou garantir que ela fique deitada o tempo todo, doutora.
- Ótimo. Vamos manter você aqui para garantir que o sangramento cesse. Repouso absoluto até a alta.
A notícia me deu uma injeção de ânimo. Eu estava grávida, e eu estaria com o Luan em um dos maiores shows da carreira dele.
[...]
As 48 horas no hospital foram longas, cheias de preocupação e, claro, a gigantesca surpresa da gravidez. A Dra. Renata foi firme quanto ao repouso, mas a ansiedade de estar fora do hospital e, principalmente, a proximidade do show em Barretos me deixavam elétrica.
Eu mantive a boca fechada sobre a gravidez e o descolamento. Menti para os pais do Luan, para a Bruna e para o Justin. Disse que fiquei no hospital para repor ferro, pois estava me alimentando mal por conta da exaustão das gravações e isso tinha causado o desmaio. Eu não queria contar sobre o bebê, principalmente por causa do risco inicial de perda.
Finalmente, recebi alta.
Eu nem acreditei quando coloquei meus pés em casa. A Serena, sentindo a falta da mãe, veio correndo na minha direção.
- Mamãe!
Meu coração se apertou. O instinto era pegá-la no colo e girar, mas eu não podia.
- Oi, meu amor! -eu disse, me controlando.
Caminhei rapidamente para o sofá para me sentar antes que ela chegasse. Sentei e abri os braços. Serena se aninhou em mim, e eu a abracei com toda a saudade do mundo.
- A mamãe estava com tanta saudade! -murmurei, beijando o topo da sua cabeça.
Seria difícil não a pegar no colo nas próximas semanas, mas eu precisava ser forte. A Dra. havia sido clara: o repouso era pela vida do meu novo bebê.
Passei o resto do dia aninhada com Serena no sofá. Ela estava feliz por ter a mamãe de volta, mesmo que eu não pudesse me levantar. Para a tranquilidade de todos, colocamos Frozen para assistir na televisão, e o silêncio da casa se preencheu com as músicas.
Luan estava na vibe Super Marido Protetor. Ele trazia tudo para mim: água, lanches, carregador do celular. Perguntava a todo instante se eu precisava de algo, se estava com fome, sede ou calor. Ele estava levando o repouso absoluto muito a sério, e eu adorava a atenção, mesmo que ele estivesse um pouco exagerado.
- Amor, você tem certeza que não quer que eu te leve um suco feito na hora? -ele perguntou pela quinta vez em meia hora.
- Luan, eu estou ótima! -eu ri.- A Serena está aqui me aquecendo, e a água que você me trouxe está perfeita. Agora senta aqui e assiste "Livre Estou" com a gente!
Ele sorriu, mas fez o que pedi. Sentou-se ao meu lado, colocando um braço carinhosamente sobre os meus ombros, e outro no sofá, pronto para segurar qualquer coisa que eu pudesse querer.
Na manhã seguinte, embarcamos cedo no jatinho. A Serena ficou com os avós, e a promessa era que amanhã já estaríamos de volta. Luan havia mandado colocar uma cama no jatinho para que eu ficasse deitada durante todo o voo. Eu obedeci. A viagem durou apenas uma hora e meia.
Nós pousamos e desembarcamos. Havia algumas fãs esperando. Luan queria ir direto para o hotel para que eu repousasse, mas eu não o deixei.
- Amor, são suas fãs! Não vamos ignorá-las. Eu estou bem, juro que não vou me esforçar.
Ele suspirou, mas cedeu, sabendo que eu era teimosa. Fui com ele, caminhando devagar. Tiramos fotos, demos autógrafos e conversamos um pouco, e então seguimos para o carro para ir ao hotel.
Chegando no hotel, fui direto para a cama. Não queria que o Luan tivesse um surto por eu ficar muito tempo em pé.
- Eu vou passar o som. -ele disse, com o rosto sério.- Você fica quietinha aqui. Qualquer coisa, qualquer pontada, qualquer mal-estar, você me liga. Eu vou estar com o celular o tempo todo. Queria ficar com você, mas preciso fazer isso.
- Eu sei. Vai lá, amor. Eu te amo.
Ele me beijou demoradamente, como se estivesse se despedindo para uma guerra, e saiu.
Eu liguei a TV do quarto. Estava passando Legalmente Loira. Eu adorava aquele filme. Afundei nos travesseiros e fiquei assistindo, com a barriga protegida.
Eu estava absorta no filme, tentando me distrair da ansiedade, quando o estômago revirou sem aviso.
Deu um enjoo de repente. Meu corpo se contorceu, e eu mal tive tempo de correr para o banheiro. Vomitei tudo o que mal tinha conseguido comer.
Enquanto lavava a boca, lembrei-me de que havia me esquecido dessa parte da gravidez. Como odiava os enjoos da gravidez.
Apesar de não ter planejado a gravidez para agora, eu não queria perder esse pequeno serzinho. Ele com certeza veio para mudar nossas vidas e, talvez, para desacelerar um pouco eu e o Luan.
Depois de vomitar, decidi tomar um banho para me sentir melhor. Lavei meu cabelo e fiz tudo com o máximo de cuidado e sem esforço. A água morna e o vapor ajudaram a relaxar um pouco a tensão.
Me enrolei no roupão do hotel e, para evitar ficar em pé por muito tempo, sentei-me no vaso com a tampa abaixada. Peguei o secador e comecei a secar meu cabelo, tentando cumprir o repouso absoluto até nos mínimos detalhes. Eu não podia arriscar.
O show começaria em algumas horas, e eu já precisava começar a me arrumar.
O enjoo passou e o banho me revitalizou. Comecei a me maquiar. Não fiz uma maquiagem pesada, apenas o suficiente para dar um ar saudável. Eu sentia leves cólicas, iguais às de quando a menstruação está para vir — nada de grave, mas era um lembrete constante de que eu precisava de cuidado.
Vestir a roupa foi um processo lento, feito com cuidado para não fazer esforço, mas o look tinha que ser impecável para Barretos.
Comecei colocando uma regata preta justinha, super básica, que destacou meus ombros e serviu de base clean. Combinei com uma minissaia jeans de lavagem clara, modelagem bem curtinha e cintura alta. Ela encaixou na minha cintura de um jeito que valorizou a silhueta sem esforço, com aquele ar meio descolado, meio anos 2000.
Combinei com uma jaqueta longa de couro preto por cima da blusa, pra manter tudo alinhado e elegante. Nos pés, o toque cowgirl moderno: um par de botas pretas de salto bloco bem alto, plataformas gigantes que deram presença e deixaram minhas pernas alongadas. As botas tinham um brilho leve e uma fivela discreta na lateral, puxando para o estilo rocker.
E, claro, era Barretos. Para fechar tudo com personalidade, coloquei um chapéu preto estruturado, com uma corrente lateral pendurada que deu um charme extra.
Eu estava terminando de ajeitar a saia em frente ao espelho do quarto quando a porta se abriu.
- Marina, desculpa! Eu estou extremamente... -Luan parou a frase no meio da respiração quando me viu.- Uau. Você está linda demais.
Ele veio até mim, me abraçando por trás e dando um beijo no meu pescoço. Aquilo foi o suficiente para me deixar instantaneamente ativa. Beijo no pescoço era, de longe, o meu ponto fraco.
Eu sorri, mas suspirei internamente. O sexo estava contraindicado pela médica, pelo menos até as 13 semanas — o fim do primeiro trimestre e a estabilização do descolamento. Eu estava em prantos que iria passar sete semanas sem dar para esse homem!
- Eu sei que sou linda, mas você está atrasado, Luan Rafael. -eu disse, virando a cabeça para roubar um beijo dele.- Vai tomar banho. Rápido!
- Tudo bem, tudo bem. Tô indo.
Ele me soltou, mas os olhos dele estavam acesos. Luan correu para o banheiro, e eu tive que me concentrar no meu look para esquecer a proibição da Dra. Renata.
Em pouco tempo, Luan estava pronto.
Ele vestia uma camisa branca de tecido leve, aberta no peito e com um laço solto na frente, deixando o visual ao mesmo tempo elegante e provocante. As mangas estavam dobradas até os antebraços, destacando as tatuagens.
Ele combinava a camisa com uma calça preta justa, que marcava bem a silhueta, presa com um cinto de fivela trabalhada. Do lado, a corrente prateada pendurada no passante adicionava aquele toque rocker essencial ao look de Barretos. Nos pés, ele usava botas pretas de cano alto.
Meu Deus. Ele estava muito gostoso, e estava me matando não poder fazer nada com esse homem. Suspirei, olhando para ele. Sete semanas pareciam sete anos.
- Você está perfeito, amor. O palco vai cair.
- E você está a cowgirl mais linda que essa Festa do Peão já viu. -ele respondeu, me puxando suavemente pela cintura.
- Espera! Foto!
Nos posicionamos rapidamente em frente ao espelho do quarto e tirei a foto.
Enquanto eu postava a foto no Instagram, Luan pegou o frasco de perfume e deu algumas borrifadas generosas.
marinabieber e luansantana Já estamos prontos pro show em Barretos essa noite. Vai ser inesquecível ✨
De repente, o cheiro, que eu costumava amar, invadiu o quarto com força.
O estômago revirou violentamente de novo.
- Argh! -eu me afastei, tampando o nariz.
Luan parou, confuso.- O que foi, amor? É o perfume que você me deu e adora.
- Eu sei. Eu adoro. Mas... -a gravidez tinha me pregado mais uma peça.- Mas agora eu não consigo, Luan. O cheiro está muito forte. Eu vou passar mal de novo.
Ele fechou o frasco imediatamente, a expressão mudando de confusão para culpa.
- Me desculpa! Deve ser por causa da gravidez...
Eu sorri, tristemente.
- Faz parte. Agora vamos, antes que eu desista do meu backstage.
Encarar o elevador com Luan todo perfumado foi um verdadeiro desafio.
Eu tampava o nariz, me abanava vigorosamente com a mão livre e tentava pensar em qualquer coisa para não vomitar ali mesmo, no espelho de vidro do elevador. Pensei em sorvete, em limão, no cheiro do mar...
- Respira fundo, amor. Eu juro que não passo mais perfume perto de você. -Luan disse, pegando minha mão e beijando-a. Ele estava visivelmente preocupado com meu desconforto.
- Não... não se... se preocupa. -gaguejei, tentando manter o foco.- É só... só o bebê me sacaneando.
Assim que as portas do elevador se abriram, eu praticamente corri para fora, respirando fundo o ar do lobby.
- Ok, estou viva. Agora vamos, antes que eu sinta cheiro de outra coisa.
Luan riu, aliviado, e me segurou pela cintura, guiando-me para a saída. A Festa do Peão nos esperava, e eu estava determinada a chegar lá, grávida e enjoada.
Chegamos ao local da Festa do Peão de Barretos. A energia era palpável, mesmo no backstage. Eu conseguia ouvir o rugido da multidão, a expectativa era imensa.
Luan já estava na correria, ajustando o microfone e se programando para sua entrada triunfal. Ele parecia um touro prestes a sair do curral: puro foco e adrenalina.
Eu, por outro lado, estava no modo repouso total. Encontrei um lugar perfeito logo ao lado do palco. Luan havia mandado colocar uma cadeira confortável, quase uma poltrona, para mim. Eu a ajeitei, me sentei e garanti que o chapéu estivesse firme.
- Nada de ficar pulando, hein, Marina Castela? -ele brincou, passando por mim.
- Prometo que só vou vibrar por dentro. -eu respondi, mandando um beijo.
Ele sorriu, a última vez que o vi antes de ele se concentrar na banda.
Fiquei ali, esperando começar. A ansiedade era grande. Eu adorava ver meu marido no palco. Era ali que ele era mais ele: poderoso, carismático e dono do mundo. E, agora, eu carregava outro pedacinho dele bem aqui, me sentindo culpada e feliz ao mesmo tempo por estar arriscando este momento.
As luzes se apagaram, a introdução começou, e a multidão foi à loucura.
A introdução instrumental explodiu nas caixas de som, e o grito da multidão foi ensurdecedor. O cheiro de poeira e emoção pairava no ar.
Luan fez sua entrada triunfal no palco de Barretos. O traje rocker e elegante, a energia indomável; ele era a estrela absoluta da noite. As luzes ofuscavam tudo, exceto o palco, e ele estava ali, exatamente onde deveria estar.
A primeira música começou, e o público cantou cada palavra em uníssono. Eu senti a vibração da música nas minhas botas e na cadeira. Era impossível não se contagiar.
Eu estava ali, na lateral do palco, na minha bolha de repouso, sentindo o poder daquele momento. Olhei para o palco, para o meu marido, e senti uma ponta de orgulho que me fez esquecer o enjoo e as preocupações.
Ele dedicou um olhar rápido para o backstage, encontrou meus olhos, e um sorriso de canto iluminou o rosto dele. Era o nosso código: ele estava ali por ele, mas também por mim, sabendo que eu o estava assistindo, grávida e apoiando cada passo de sua ascensão.
Depois de terminar a quarta música com uma explosão de fogos de artifício no palco, ele parou para interagir com a galera.
- Barretos, que público lindo é esse? Eu amo essa energia! Vocês estão prontos para mais?
O grito da multidão foi a resposta. Ele andava lentamente pelo palco, com o microfone na mão, e a luz focada nele.
- Sabe, galera, eu queria dividir uma coisa com vocês... uma coisa que aconteceu dois dias atrás. Eu recebi uma das notícias mais incríveis da minha vida. Uma notícia que, literalmente, me fez parar e refletir que nada é como a gente planeja. A vida tem uma agenda própria.
Ele fez uma pausa dramática, olhando para a plateia. Meu coração começou a acelerar. Ele estava falando do bebê.
- Eu ainda não vou contar o que é. -ele sorriu, misterioso.- Em breve, vocês vão saber. Mas, por enquanto, o que eu peço para vocês, para todos que me amam, é o seguinte: independente da religião de cada um aqui hoje, eu peço que vocês façam orações e mandem muita energia positiva para a minha família.
Ele levou a mão ao peito.
- Eu sou o homem mais sortudo do mundo por ter a minha esposa e a nossa filha Serena, e agora, por essa nova fase aqui em São Paulo. Eu amo vocês.
A multidão ovacionou, e eu senti meus olhos marejarem. Ele estava pedindo proteção para o nosso pequeno segredo, o bebê de seis semanas que precisava de toda a energia positiva do mundo.
Ele voltou para o centro do palco e pegou o violão.
- Agora, eu vou dedicar essa música para a minha rainha, que está aqui no backstage me vigiando. Marina, essa é para você!
Luan se sentou em um banquinho no meio do palco, a multidão em silêncio expectante. Ele ajustou o microfone no suporte, pegou o violão, e a melodia suave e inconfundível de uma das suas canções mais românticas começou a preencher o ar da Festa do Peão.
Ele olhou diretamente para a lateral do palco, onde eu estava. Seus olhos, mesmo à distância, estavam fixos em mim.
E então ele começou a cantar, e cada palavra parecia ser sussurrada diretamente no meu coração.
- É impressão minha ou o sol brilhou mais forte quando olhou pra mim? O brilho desceu das estrelas e no meu olhar ficou até o fim...
Eu senti meus olhos marejarem novamente.
- É impressão minha ou metade do meu peito mora em você? Se o mal chegar, entro na frente pra te proteger. Eu te amarei por 1001 motivos. Vou perguntar baixinho ao pé do ouvido...
Ele fechou os olhos.
- Promete que vai ser só minha, que vai me entender num olhar. Promete que vai visitar os meus sonhos de noite a luz do luar. Promete ler meus pensamentos, decifrar o meu coração. Por que só assim vai saber que minha vida inteira está em suas mãos...
Quando ele terminou, o aplauso da multidão foi gigantesco, mas para mim, só existia a promessa dele. Minha vida estava, de fato, em suas mãos.
Eu toquei minha barriga, sentindo a emoção. Era uma declaração de amor para a nossa família.
Luan cantou mais umas três músicas depois disso. Ele estava empolgado, pulando no palco, e a multidão estava no auge da euforia. Enquanto ele cantava "Cê Topa?", eu o filmava com o celular, cantando junto, sentindo a vibração da música.
Foi então que o celular vibrou com uma chamada. O nome de Ashley, minha madrasta, piscou na tela.
Achei estranho. Ashley nunca me ligava. Meu corpo ficou tenso na hora, pressentindo algo grave. Parei de gravar imediatamente.
Eu me levantei rapidamente, caminhando para o camarim de Luan para ter um pouco de silêncio. Atendi a chamada no meio do caminho.
- Ashley, espera um pouco, tô saindo do barulho. -falei, abrindo a porta do camarim e fechando-a atrás de mim.
Quando finalmente fiquei em silêncio, o que escutei do outro lado da linha foi o som de Ashley chorando desesperadamente. Meu corpo inteiro congelou.
Não, não, não, não... o meu pai.
Ashley tentou se acalmar, soluçando, e conseguiu me contar: meu pai havia tido um derrame e não resistiu.
Meu mundo parou de vez. A música alta que vinha do palco se transformou em um zumbido distante. Eu me sentei pesadamente no sofá do camarim, e meus olhos começaram a transbordar.
O desespero de ser proibida de ir me atingiu antes mesmo da dor da perda. A médica mal me deixou vir para Barretos, que é perto de São Paulo; ela obviamente iria me proibir de ir para Nova York me despedir do meu pai.
Comecei a chorar em desespero, perguntando como e por quê. Ashley não sabia o que me dizer, só chorava.
- Eu vou pegar o jatinho e amanhã cedo estarei aí. Fica calma.
Desliguei o telefone e desabei no choro.
Eu estava grávida, de repouso, e meu pai estava morto. A dor física do descolamento era mínima comparada à dor no meu peito.
Escutei alguém bater na porta. Era Dagmar, a assessora do Luan.
- O Luan pediu para verificar se estava tudo... -ela abriu a porta e parou de falar quando me viu aos prantos.
Eu não conseguia nem falar, apenas chorar e soluçar, com o corpo tremendo.
Dagmar correu até mim, com o rosto branco de preocupação. Ela pegou um copo de água e tentou me acalmar, me abanando freneticamente.
- Meu Deus, Marina, o que houve? Respira! Bebe essa água!
Eu não conseguia parar de chorar. Tirei meu chapéu da cabeça. Parecia que tudo no meu corpo me sufocava, a regata, a saia, o ar pesado do camarim.
Em meio ao desespero, as memórias vieram em flashbacks. Meu pai me ensinando a andar de bicicleta quando eu tinha seis anos, junto com o Justin. As idas constantes às sorveterias e na casa da minha avó. Como ele se tornou um avô babão, primeiro com o Jack, depois com a Serena, e depois com a Chloe. Lembrei-me de como ele estava animado com a chegada dos gêmeos da Bruna e do Justin.
E então, o golpe final. Meu irmãozinho, o Jordan, de apenas 1 ano e 2 meses. O pequeno não vai ter o pai. Ele não vai aprender a andar de bicicleta com ele. Não vai tomar sorvete... A dor de pensar na vida que meu irmãozinho não teria com nosso pai me devastou.
Eu desabei no sofá novamente. O desespero de estar longe, grávida e impossibilitada de voar, era insuportável.
Dagmar percebeu que a situação era gravíssima. Ela pegou o celular com as mãos tremendo, pronta para ligar para a única pessoa que poderia interromper o show mais importante da carreira dele.
- Eu vou chamar o Luan. Não se preocupe, eu vou resolver isso.
Eu agarrei a mão de Dagmar quando ela fez menção de sair.
- Não! Não atrapalha o show dele! É importante demais!
Dagmar estava nervosa, mas tentando se manter profissional.
- Marina, você não pode ficar assim. Por favor, me explica o que está acontecendo para você estar nesse estado.
Ela me entregou o copo de água novamente. Eu peguei, com a mão tremendo, e bebi o líquido gelado, tentando recuperar o controle. Olhei para ela e a verdade, finalmente, saiu.
- O meu pai... o meu pai faleceu.
O rosto de Dagmar se contorceu em um semblante triste. Ela se aproximou e me abraçou com força, me consolando enquanto eu soluçava contra o ombro dela. Era um abraço profissional, mas cheio de compaixão.
- Sinto muito, Marina. Meu Deus. Sinto muito mesmo.
Neste momento, meu celular vibrou na minha mão. Era o Justin. Eu não sei nem se suportaria atender a ligação do meu irmão agora.
Dagmar se afastou um pouco e me olhou, indicando que eu deveria atender.
Eu atendi.
- Justin?
A voz dele veio do outro lado da linha, embargada.
- Marina! Você soube? A Melanie me ligou! Eu... eu não consigo acreditar!
Justin estava chorando, e ao ouvir a dor do meu irmão, eu chorei mais ainda. Eu sabia que ele estava sentindo a dor da perda tanto quanto eu, e a conexão entre nós só aumentou o meu desespero.
- A Ashley me ligou, Justin... Foi um derrame. Aconteceu do nada!
- A gente precisa ir. A gente tem que ir... -ele soluçava, sem conseguir formular uma frase completa.
Eu olhei para a minha barriga, e depois para Dagmar.
- Eu estou em Barretos, Justin. Eu não posso voar pra tão longe...
- O que você está falando, Marina? Você tem que ir! É o nosso pai!
Suspirei, totalmente decidida.
- Eu vou, Justin. Eu vou, não importa o que aconteça. Eu estou no show do Luan em Barretos, mas amanhã cedo eu vou estar em Nova York. Você... você pode buscar a Serena e levá-la com você? Eu vou direto daqui para lá.
- Claro que eu busco. Eu te encontro em Nova York.
Nós desligamos. Eu estava firme: eu iria para Nova York, apesar da possível proibição médica. Meu pai era mais importante.
Quase imediatamente, escutei alguém bater na porta de novo. Era a personal style do Luan.
- Marina, o Luan foi trocar a roupa do show e está muito preocupado. Ele pediu para a Dagmar ver o que aconteceu com você e ela não voltou para dar notícias.
Dagmar me olhou, e eu sabia que ela estava sendo pressionada.
- O que eu faço, Marina? Ele vai surtar.
- Fala que está tudo bem. Que eu estava com dor nas costas e vim deitar um pouco, mas que estou bem.
Dagmar assentiu, agradecendo por uma desculpa plausível. Ambas saíram, me deixando ali sozinha, no silêncio do camarim.
O choro voltou com tudo. Eu não suportava aquela dor.
Eu liguei para a minha mãe. Ela atendeu normalmente, a voz apressada.
- Oi querida, não posso falar muito. Estou no meio de um plantão no hospital. O que houve?
- Mãe... -minha voz falhou.- O pai... ele se foi.
Ela ficou em um silêncio absoluto. A única coisa que se ouvia era a estática da ligação.
- Mãe? Você está aí? -chamei, achando que a ligação tinha caído.
- Eu estou aqui, filha. -a voz dela era um sussurro, totalmente desprovido de emoção.
Eu sei que minha mãe e meu pai já não tinham mais nada há mais de 20 anos, mas acho que o baque do seu primeiro amor, o pai de suas duas únicas filhas, ter falecido, foi difícil. Ela estava em choque, assim como eu.
- Eu sinto muito, mãe.
- Eu também, Marina. Você vai ir pra Nova York?
- Vou, até amanhã cedo estou lá, mãe.
- Tudo bem, a gente se vê. Eu te ligo assim que puder.
Ela desligou. Eu não podia ficar ali. Eu precisava do Luan e precisava do meu pai.
Eu não conseguia acreditar.