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Capítulo 153

Bruna Narrando

Acordei com barulhos estranhos no andar debaixo. Não eram os barulhos normais de Jack e Chloe acordando. Parecia... invasão?

Justin dormia profundamente do meu lado, o braço pesado abraçando a minha barriga de 16 semanas — e seus dois ocupantes. Peguei meu celular: 07:00 da manhã em ponto. Mas quem é que invadiu minha casa a essa hora?

Cutuquei e chamei Justin algumas vezes até ele resmungar e abrir os olhos sonolentos.

- Justin! Justin! -sussurrei, alarmada.- Levanta! Vai descer e ver o que está acontecendo. Pode ser ladrão!

Ele murmurou algo incompreensível sobre a segurança do condomínio, mas se arrastou para fora da cama.

Demorou uns cinco minutos para ele voltar. Eu estava sentada na cama, tensa.
Ele entrou no quarto, com um sorriso sonolento, mas divertido.

- Ladrão não. -ele bocejou.- É só a Marina. Ela está invadindo a cozinha e a sala com balões. Ela veio arrumar a decoração do chá revelação. Disse que precisava da manhã inteira para "transformar o ambiente".

Eu não pude evitar o riso. É claro que era a Marina. Ela não ia fazer nada pela metade, mesmo sendo um chá íntimo.

- Ah, meu Deus. -eu me levantei.- Eu vou lá antes que ela pinte a minha sala de rosa ou azul por acidente.

Fui direto para o closet e troquei de roupa rapidamente, colocando um legging confortável e uma camiseta solta e velha. Desci as escadas, e o cheiro forte de café invadiu meu nariz.

Marina estava na minha cozinha, completamente à vontade. Ela estava de costas para mim, concentrada, mexendo a cafeteira elétrica. Ela já tinha montado uma pequena base de suprimentos na ilha, com balões e fitas.

Cheguei perto dela, tossi alto e disse, com a voz séria:

- Marina, você tá bem à vontade, invadindo minha casa às sete da manhã e ainda por cima fazendo café na minha cafeteira!

Ela deu um pulo e soltou um gritinho, virando-se com a mão no peito, quase me matando de susto.

- Bruna! Meu Deus, você quer me matar? Eu achei que você estivesse dormindo!

Eu ri da cara de susto dela.

- É a minha casa, eu que pergunto se você não quer se sentir mais à vontade e talvez mudar a cor da minha parede enquanto eu durmo. O Justin disse que você estava aqui "transformando o ambiente."

Ela colocou a mão na cintura, voltando ao seu modo manager.

- Eu estou economizando tempo, querida! O chá é hoje, e a minha agenda é apertada. Além disso, eu não consigo operar sem cafeína. E sim, a parede está um pouco sem graça para a revelação dos gêmeos, pensei em um tom pastel...

- Nem pense! -avisei, rindo.- Mas obrigada pelo café. Guardiã do Segredo e Cofeine Dealer. Qual será a sua próxima função?

- Na verdade, sua função! Anda, me ajuda a inflar esses balões. E tenta não olhar para a minha cara, senão você descobre o segredo!

Passamos a manhã inteira organizando a sala. Era um caos delicioso.

Marina era metódica, montando a cortina de fitas e separando o pó colorido. Eu a ajudava a pendurar os balões brancos e tentava organizar a mesa de comes e bebes.

Logo as crianças acordaram e, para minha surpresa, ajudaram! Chloe e Jack se divertiram enchendo bexigas.

Justin acordou por volta das nove. Ele desceu, deu bom dia para todos, e ficou apenas observando a bagunça, com um sorriso sonolento, enquanto degustava o café que Marina havia feito.

- Não vai ajudar, não, futuro pai de quatro? -eu provoquei.

- Estou supervisionando o projeto. -ele respondeu, piscando.- A Marina tem tudo sob controle. Além disso, se eu tocar em qualquer coisa, posso estragar.

Perto do horário do almoço, a missão de Marina estava completa. Ela nos deu instruções finais sobre a ordem da revelação e foi embora para se arrumar e buscar o Luan com Serena.

Pedi um iFood para almoçarmos. Almoçamos rapidamente, e então eu e Justin fomos arrumar as crianças. Foi uma mega operação: dar banho nos dois, vestir Chloe e Jack em roupas novas para a foto. Eu só pensava: Meu Deus, como vamos fazer isso quando forem quatro crianças?

Mas o caos era nosso normal. Olhei para a sala decorada. O suspense era palpável. 

Lá pelas duas da tarde, o movimento na sala começou de verdade. Meus pais foram os primeiros a chegar, e logo depois, Marina, Luan e Serena entraram com uma energia contagiante.

Marina já chegou colando adesivos nas pessoas que tinham um palpite. Ela tinha planejado o sistema perfeitamente: quem achava que eram dois meninos, ganhava dois adesivos de "Team Boy"; quem achava que eram duas meninas, dois adesivos de "Team Girl"; e quem achava que era um casal, ganhava um adesivo de cada.

- Team Boy, com certeza! -Luan declarou, recebendo seus dois adesivos azuis.- Dois rapazes para fazer companhia ao Jack!

- Nem pensar! São duas meninas! -Marta rebateu, aceitando seus dois adesivos rosa.- Para fazer o time das mulheres crescer!

Eu ri da disputa. Marina realmente tinha planejado tudo.

Antes que eles chegassem, um pessoal de um buffet trouxe uma quantidade de doces e salgados que, para um evento íntimo, eu achei que ela tinha dado uma boa exagerada.

- Marina, eu disse que não queria festona! -eu sussurrei para ela, enquanto ela decorava um balcão.

- É uma revelação de gêmeos, Bruna! Relaxa! E eu sou profissional. -ela respondeu, piscando.

Nesse momento, a campainha tocou. Justin foi atender.

E para a minha surpresa total, quem entrou na sala foram o pai do Justin, William, e a Ashley, junto com o pequeno Jordan! 

Mas a surpresa não parou por aí. Logo atrás deles, entraram a mãe do Justin, Pattie, e o padrasto, Charlie. Eles tinham vindo de Nova York e Nova Jersey para participar desse momento.

- Que surpresa! -Justin gritou, radiante.

A sala estava lotada, e meu chá revelação íntimo tinha virado uma reunião de família transatlântica. Graças a Deus a Melanie não veio, pensei, ou seria um caos completo.

Após cumprimentarmos a todos — foi um abraço caloroso com Pattie, um cumprimento respeitoso com William e Charlie, e um abraço breve em Ashley.

O inevitável aconteceu. Ashley me puxou de lado, com aquele ar de quem desvendou um mistério que ninguém estava tentando esconder.

- Bruna! Eu não acredito! -ela exclamou.- Você não sabe como estou feliz por vocês.

Eu sorri, esperando um comentário decente.

- Mas, meu Deus, você me enganou! -ela continuou, gesticulando.- Eu juro que pensei que a Marina quem estivesse grávida na formatura. Ela estava com uma barriga...

Eu tentei manter a calma, olhando para a Marina, que estava fingindo não ouvir enquanto colava um adesivo de "Team Boy" no seu pai. A minha vontade era de sair correndo, mas eu estava grávida de gêmeos e não podia.

- Não, Ashley. Sempre fui eu. -respondi, forçando um sorriso.- A Marina está com a forma física perfeita, é só o vestido que ela escolheu que deu uma ilusão de ótica.

Ashley olhou para a minha barriga, que estava consideravelmente maior agora, aos quatro meses.

- Pois é. Mas a da Marina estava mais pontuda. A sua é mais redonda. De qualquer forma, parabéns por ter feito um trabalho melhor em esconder a notícia! Agora me dá um adesivo de casal, porque eu juro que são um menino e uma menina.

Eu balancei a cabeça. Ashley e sua inabilidade social eram lendárias. 

Marina deu umas batidinhas na taça para chamar a atenção da sala.

- Já que todos chegaram, e a Bruna está prestes a entrar em colapso de ansiedade, está na hora!

Justin e eu nos posicionamos sentados no sofá, servindo de palco. Jack estava aninhado ao lado do pai, e Chloe estava agarrada a mim. A família se reuniu sentada em nossa volta, todos com os adesivos coloridos.

Marina pegou um tubo de confetes. Ela estava radiante, como se estivesse apresentando um Oscar.

- Antes da revelação, eu quero saber o palpite dos pais! -ela anunciou, sorrindo.

Justin me olhou, cheio de confiança.

- Eu tenho certeza. Dois meninos. O time Matteo e Lucca está chegando para o time do Jack!

Eu concordei, suspirando.

- Eu bem que queria uma menina, para usar todas as roupinhas que eu vi, mas a minha intuição diz que o Justin está certo. São dois meninos. Team Boy Duplo.

Marina riu da nossa unanimidade.

- Palpite dado! Agora, o momento da verdade. Vamos revelar o sexo do Bebê 1!

Ela segurou o tubo de confetes sobre nós.

- Um!
A sala inteira vibrou.

- Dois!

As câmeras dos celulares se levantaram.

- TRÊS!

Ela estourou o confete.

Uma chuva de confetes azuis caiu sobre Justin, sobre mim e sobre as crianças. Chloe e Jack arregalaram os olhos, e o público gritou.

Justin soltou um grito de vitória, abraçando o Jack.

- Sim! Eu sabia! É um menino! O primeiro é um garotão!

Eu ri, com o coração acelerado. Matteo estava confirmado!

Luan deu um soco no ar, e Antônio e Marta me abraçaram, felizes.

A expectativa da sala aumentou ainda mais. Agora todos queriam saber: o segundo bebê era Lucca ou Sophia?

Marina, a mestre de cerimônias do caos, aproveitou o suspense e enrolou um pouco, fazendo todos voltarem a respirar fundo.

- Calma, gente! Um de cada vez! -ela brincou, pegando o segundo tubo de confetes.

- Marina, para de enrolar! Anda logo! -Justin implorou, impaciente.

Ela riu e posicionou o segundo tubo, com aquele sorriso de quem guarda um segredo de ouro.

-'Okay! Contagem regressiva para o Bebê 2!

A família inteira gritou:

- Cinco!

- Quatro!

- Três!

- Dois!

- UM!

Marina estourou o segundo confete.

Desta vez, a chuva de confetes azuis que já estava sobre nós se misturou com uma explosão de confetes rosa!

A sala inteira congelou por um segundo antes de explodir em um grito ainda mais alto de surpresa e alegria.

Justin me olhou, de boca aberta.

- O quê?! É um casal?!

Eu comecei a rir e chorar ao mesmo tempo. A intuição havia falhado!

- Não é Lucca! É a Sophia! É um casal!

Chloe gritou, apontando para o confete rosa: 

- Mamãe! Roupa rosa! Roupa rosa!

Eu abracei Justin com força. O caos era maior, a alegria era dobrada, e a fábrica, que eu tinha declarado fechada, agora tinha entregue o pacote completo: Matteo e Sophia.

[...]

Já era noite. As emoções do chá revelação tinham sido intensas, e o dia havia nos esgotado. A casa estava silenciosa. As crianças já estavam dormindo em suas camas. Pattie e Charlie estavam acomodados no quarto de hóspedes e William, Ash e Jordam ficaram na casa da Marina.

Justin e eu estávamos deitados, ainda eufóricos com a notícia: um casal! Matteo e Sophia.

Ele estava de bruços ao meu lado, a cabeça apoiada na minha barriga, que já estava consideravelmente maior. Ele estava conversando com os bebês.

- Então, é isso, Matteo e Sophia. -ele sussurrava, a voz baixa e carinhosa.- Vocês deram um susto na mamãe e no papai. A mamãe achava que seriam dois meninos, e o papai achava que seriam dois meninos, mas vocês são espertos, não são? Um de cada para deixar tudo mais equilibrado, mais... perfeito.

Ele beijou a minha barriga.

- Agora a mamãe vai poder comprar muitas roupinhas rosa. E você, Matteo, vai ser o meu garoto que vai ter que proteger as suas irmãs de todos os meninos bobos. O Jack vai te ajudar nisso.

Eu sorri, passando a mão pelo cabelo dele.

- Você está sendo muito dramático com os dois que ainda nem nasceram, Justin. -eu murmurei.

Ele levantou a cabeça e me beijou, os olhos cheios de alegria.

- Não é drama, Bru. É amor. Nosso time está completo. E foi tudo incrível hoje. 

Eu me aconcheguei nele, sentindo a felicidade se instalar.

Eu me virei para o Justin. A euforia do dia ainda estava pairando no ar, e eu sabia que era o momento perfeito.

- Sabe o que a gente deveria fazer? Postar uma foto de hoje anunciando a gravidez e que são gêmeos para os seus fãs. A gente nunca fez um anúncio oficial, só a família sabe de verdade.

Os olhos de Justin brilharam.

- Ótima ideia! A gente posta a foto com os confetes!

Eu peguei meu celular, selecionei a melhor foto do momento da revelação e comecei a digitar a legenda.

brusantanareal e justinbieber 
Aumentamos o time de 4 para 6! 🥹

Estamos oficialmente grávidos de gêmeos! E a surpresa é dupla: vem aí um casal, Matteo e Sophia! 💙🩷

A família está mais que completa! 💕


Eu mostrei o post para o Justin. Ele beijou minha testa e disse:

- Perfeito.

E assim, o mundo soube. Nossa nova fase no Brasil teria dois novos membros e a promessa de um caos adorável.

1 mês depois...

Um mês se passou desde o chá revelação. Agora era final de julho, e a data era especial: aniversário de 3 anos do Jack!

Nós alugamos um salão de festas aqui em São Paulo, e a família estava toda reunida. Tios, tias, primos, tanto do meu lado quanto da família de Justin, que vieram de tão longe para celebrar. Estava um caos de gente, risadas e balões.

Nesse momento, estávamos todos cantando parabéns. Jack estava impossível, ele queria ficar pulando em cima da cadeira que usava como apoio na hora do parabéns. Chloe, por incrível que pareça, estava comportada ao meu lado, próxima do Justin, mas atenta ao bolo.

Eu, por outro lado, estava me sentindo enorme. Com quase 22 semanas, minha barriga estava gigantesca com Matteo e Sophia. Onde eu ia, minha barriga chegava primeiro. Sem contar que tudo estava triplicado, inclusive a fome. E minha libido? Não vou nem comentar, mas o Justin estava adorando a fase.

Porém, estava com os hormônios muito à flor da pele. Meu humor era imprevisível, e as emoções explodiam por qualquer motivo.

A prova disso tinha acontecido na semana passada. Eu chorei no meio do sexo porque, de repente, quis fazer no escuro. E logo depois, comecei a chorar copiosamente, porque na minha cabeça, quem tinha sugerido ir para o escuro tinha sido o Justin, pois eu estava tão imensa que ele não queria mais me ver pelada na luz.

O coitado parou tudo, ficou sem entender nada, tentando me acalmar enquanto eu soluçava, garantindo que eu era a mulher mais linda do mundo e que a barriga era a coisa mais sexy que ele já tinha visto.

Mas agora, no meio do parabéns, eu estava apenas feliz. E ansiosa pelo primeiro pedaço de bolo.

Ao final do parabéns, toda a família fez silêncio. Jack, com a ajuda do Justin para se equilibrar na cadeira, se inclinou sobre o bolo.

Com os olhos fixos na chama, ele assoprou a vela sozinho.

Um grito de alegria e aplausos tomou conta do salão.

Eu, porém, mal consegui bater palmas. Meus olhos ficaram marejados, e eu quis chorar naquele momento.

Eu me lembrei do seu primeiro aniversário. Ele mal andava, e as velinhas tiveram que ser sopradas por mim e pelo Justin juntas, enquanto nós o segurávamos. Era uma lembrança doce, mas que me trazia uma pontada de dor.

Ele cresceu rápido demais.

De repente, ele era um garotinho de três anos, independente, fazendo birra, pulando em cadeiras e soprando suas próprias velas. E em poucos meses, ele seria o irmão mais velho de dois bebês.

Justin percebeu minhas lágrimas silenciosas. Ele se inclinou e sussurrou no meu ouvido, beijando meu rosto:

- Ei, amor. Não chora. Você vai inundar o salão. Ele está crescendo e é um bom sinal.

Eu apenas sorri, enxugando as lágrimas rapidamente. Os hormônios e a nostalgia batiam forte.

- É que ele está gigante, Justin. Onde foi parar meu bebê de um ano?

Jack, alheio ao drama hormonal da mãe, virou-se para mim, estendendo os braços.

- Mamãe, me ajuda? -ele pediu, querendo descer da cadeira.

Eu o peguei, com cuidado por causa da barriga enorme, e o coloquei no chão.

- Mamãe, quero bolo! -ele anunciou, com o dedo apontado para a mesa.

Eu sorri, a melancolia se dissolvendo na face da fome.

- Eu também quero, filho! -confessei, rindo.- A mamãe também quer muito bolo! 

Eu olhei para o Justin, que riu, entendendo perfeitamente meu desejo. Com quase 22 semanas de gêmeos, a frase "Eu também quero" se aplicava a quase tudo que as crianças pediam.

- Vamos lá, time. A mamãe precisa de açúcar, urgentemente. -Justin disse, nos guiando para a mesa do bolo.

Servimos os doces e o bolo. O salão estava cheio de conversas animadas, e o clima de festa era contagiante. Eu estava de pé, próxima ao Justin, concentrada no meu pedaço de bolo, sentindo a necessidade urgente de açúcar.

- Bruna, esse bolo está melhor do que o do aniversário da Marina, você não acha? -Justin disse, de repente, com a boca cheia de chantilly.- Deveríamos encomendar um desse pro aniversário da Chloe em setembro.

O comentário era aleatório, bobo até, mas por algum motivo, me fez parar de comer e olhá-lo de verdade.

Ele estava de camisa social, o cabelo desgrenhado de tanto brincar com Jack, e aquele sorrisinho de canto, com um pouco de glacê no lábio inferior. Ele estava tão gato.

Aí, pronto.

Toda a euforia, a adrenalina da festa e, claro, os hormônios de gêmeos fizeram a mágica. Minha libido estava ali, acesa no meio do salão de festas, por causa de um homem com chantilly na boca e um comentário sobre bolo.

Eu me inclinei, disfarçando para limpar o canto da boca dele com o meu polegar.

- Você está lindo. -murmurei, com a voz um pouco mais rouca do que eu pretendia.

Ele percebeu o olhar, aquele olhar que ele já conhecia bem. O sorriso dele se alargou, cheio de promessa.

- E você também, Sra. Bieber. O mais lindo pedaço de bolo está aqui.

Eu revirei os olhos, mas não consegui conter o sorriso. Que bom que a festa não duraria a noite toda.

Meus pensamentos estavam impuros, impuros demais para estarmos numa festa infantil cheia de tias e avós. Eu estava prestes a arrastar Justin para um canto isolado quando percebi que o salão já estava esvaziando.

Notei Marina e Luan se aproximarem. Luan estava com a Serena dormindo, aninhada em seus braços, exausta pela festa. Eu me recompus rapidamente, esfriando a cabeça para falar com eles.

- Viemos dar tchau, gente. -Marina disse, com um sorriso de cansaço e expectativa.- O Luan tem que estar no aeroporto de manhã cedo.

Eu me aproximei. 

- Não acredito! A turnê na Europa já é amanhã?

- É sim. -Luan respondeu, ajustando Serena.- Vou fazer alguns shows em Paris e em Londres.

- E eu vou junto! -Marina anunciou, animada.- É o nosso plano B. Nesse mês de agosto, eu começo a gravar a série Tremembé, e vai ser algo intenso. Eu mal terei tempo para respirar, então tiramos essa semana agora.

Eu assenti. 

- Boa ideia! E a Serena?

- Ela vai ficar com os seus pais. -Marina disse, apontando para eles, que estavam conversando com Pattie e Charlie.- Vai ser bom para ela e para eles.

Luan sorriu para Marina. 

- E vai ser bom para nós também. É a nossa comemoração de um ano de casados adiantada. Uma boa segunda lua de mel, dado o furacão que enfrentamos na primeira!

Eu ri. Eles mereciam. Eu abracei a Marina com força, tomando cuidado com a barriga.

- Vão com Deus. Aproveitem cada segundo! Mari, não esqueça de dançar 'One Way or Another' em Londres. 

Marina riu.

- Pode deixar! Te mando vídeo. E você, não ganhe esses bebês antes de eu voltar! -Marina pediu.

Eles se despediram de Justin, e logo depois se foram.

[...]

Após voltarmos para casa, o silêncio da noite em Alphaville foi um alívio bem-vindo. Eu e Justin demos banho nas crianças e elas caíram na cama quase imediatamente, exaustas de tanto bolo, doces e brincadeiras no salão de festas.

A casa ficou em paz.

Eu olhei para o Justin. Ele estava lindo, cansado, mas com aquele brilho no olhar que eu tinha despertado mais cedo no salão. Eu não tinha esquecido meus planos e nem a minha libido que estava no auge da gravidez de gêmeos.

- Bom, a casa está em silêncio... o Matteo e a Sophia estão dormindo também... -eu disse, deslizando as mãos pelo pescoço dele.

Justin sorriu, entendendo perfeitamente o recado.

- A agenda está livre, Sra. Bieber. O que tem em mente?

- Eu tenho em mente que você tem um corpo lindo, e que eu senti muita falta de ter você só para mim hoje. E que não vou chorar se você quiser fazer no escuro ou na luz.

Ele me pegou no colo, rindo.

- Você não vai chorar. Prometo.

Justin me pegou no colo com facilidade, subindo as escadas em direção ao quarto principal. Eu estava imensa, mas ele nunca me fazia sentir pesada.

- Você tem certeza? -ele perguntou, com a voz rouca, ao chegarmos no quarto.- Não quero que você fique desconfortável.

Eu o beijei com intensidade, respondendo à pergunta sem palavras.

- Eu nunca estive tão confortável. -eu garanti.- Os hormônios podem me fazer chorar por um motivo estúpido, mas eles também me fazem te querer muito.

Ele sorriu, aquele sorriso que derretia qualquer resquício de insegurança. Ele me colocou de volta no chão, e eu o ajudei a tirar a camisa social. Os músculos dele estavam tensos, e eu senti o cheiro familiar da sua colônia misturado ao cheiro da nossa noite.

Nós nos beijamos longamente, deixando que o desejo tomasse conta. A luz do luar que entrava pela janela era suficiente para eu ver o quanto ele me desejava.

Minhas mãos tremiam levemente enquanto desabotoava a calça dele, a urgência do desejo tornando meus dedos desajeitados. Ele, por sua vez, deslizou o vestido florido de festa dos meus ombros, e o tecido caiu em um pool suave aos meus pés. Fiquei apenas de sutiã e calcinha, minha enorme barriga redonda e pálida sob a luz da lua.

Em vez de qualquer hesitação, o olhar de Justin foi de pura adoração. Ele ajoelhou-se lentamente, como se diante de algo sagrado, e colocou as mãos quentes sobre a curva do meu ventre.

- Você é incrível. -ele sussurrou, e a voz dele era áspera, cheia de emoção.- Você está criando duas vidas, Bruna. É a coisa mais poderosa e sexy que já vi.

Um arrepio percorreu minha espinha, e não por causa do frio. Era a verdade nas palavras dele, lavando qualquer resquício daquela insegurança ridícula que me fez chorar na semana passada. Seus lábios encontraram minha pele, beijando suavemente a linha do umbigo, depois mais abaixo, no local onde a pele estava esticada e tensa. Um suspiro escapou dos meus lábios, e meus dedos se enterraram em seus cabelos desgrenhados.

Ele me levantou novamente, com aquela força que sempre me surpreendia, e me deitou com infinita cautela na cama grande. O colchão afundou sob meu peso, e eu me senti envolvida, segura. Ele se posicionou sobre mim, sustentando o próprio peso com os braços, seus olhos escuros fixos nos meus.

- Tudo bem? -ele perguntou, sempre cuidando, sempre verificando.

- Mais do que tudo bem. -ofeguei, puxando-o para baixo.- Por favor, Justin. Preciso te sentir.

A lentidão com que ele me possuiu era torturante e deliciosa. Cada centímetro de avanço era sentido, celebrado. Meu corpo, sensível e vibrante, respondeu a cada toque, a cada sussurro de encorajamento que ele murmurava em meu ouvido. A barriga não era um obstáculo; era o centro de tudo, a prova tangível do amor que nos trouxera até ali. Ele se ajustava perfeitamente ao meu redor, como se fôssemos duas peças de um quebra-cabeça que se moldavam uma à outra, não importando as mudanças.

Olhei para seu rosto acima de mim, contraído em prazer e concentração, e uma onda de amor tão intenso me atingiu que pensei que meu peito ia explodir. Os hormônios não me fizeram chorar desta vez. Em vez disso, canalizaram toda aquela energia emocional transbordante em pura sensação física. Meus dedos marcaram suas costas, e meu corpo se moveu com ele em um ritmo antigo e perfeito.

O orgasmo veio como uma maré, começando lá no fundo do meu ventre e se espalhando por cada fibra do meu ser, um tremor longo e profundo que me fez gemer seu nome em um sussurro rouco. Segundos depois, senti o corpo dele enrijecer e depois relaxar sobre o meu, seu próprio gemido abafado no meu pescoço.

Ficamos assim por um longo tempo, ofegantes, entrelaçados. O mundo lá fora não existia. Só existiam sua respiração, o bater acelerado do meu coração e o peso suave dos nossos bebês entre nós.

​Ele rolou para o lado, mas não me soltou, mantendo um braço firmemente em volta dos meus ombros. Eu me aconcheguei contra seu peito suado, ouvindo o ritmo gradualmente desacelerar. O cheiro dele, a segurança do seu abraço, era o meu lugar favorito no mundo.
- Você me deixa louco, Bruna. -ele sussurrou no meu cabelo, a voz ainda rouca.
- E você é a minha paz no meio de todo o caos. -eu respondi, com um sorriso sonolento.

​Estávamos completos.

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