Justin Narrando
Os dias em São Paulo passaram voando em um borrão de trabalho, família e preparativos.
Já estávamos em 11 de agosto, um sábado. A rotina estava intensa: eu na correria das gravações e composições para o meu retorno aos palcos, e Bruna mergulhada na fase do ninho, planejando a chegada dos bebês.
Hoje, tiramos o dia só para nós dois, mas com uma missão importantíssima: ir comprar o enxoval para os gêmeos. Bruna estava com quase 24 semanas, e a barriga dela já estava enorme, do tamanho que a barriga de uma grávida de um só estaria no final da gestação.
Para conseguirmos fazer as compras com tranquilidade, sem o tumulto de fãs pedindo fotos a cada passo, tivemos que ir bem cedo. A loja de artigos de bebê abriu duas horas antes só para nós, dentro de um shopping ainda vazio.
Bruna estava radiante, mas também metódica.
O silêncio do shopping era estranho, mas permitia que a gente se concentrasse. Eu adorava vê-la neste modo "mãe-de-gêmeos-com-missão".
O carrinho de compras estava vazio, mas eu sabia que, em poucas horas, ele estaria transbordando de roupinhas, fraldas e mimos para os nossos dois novos filhos.
Nós vimos tudo. O carrinho duplo para gêmeos, as pilhas de roupas minúsculas, mantas, cobertores. Era tanta coisa que, em pouco tempo, eu já estava completamente perdido. Minha mente de músico, acostumada a melodias e letras, não conseguia processar a logística de dois recém-nascidos.
Eu parei no meio do corredor, um pouco atrás de Bruna, que estava na seção de bodies. Meu olhar congelou em um body branco com uma sainha rosa, onde estava bordado em letras delicadas: "Princesa do Papai".
Eu não pude evitar. O sorriso veio, largo e sincero, e os olhos ficaram marejados de uma emoção que me atingiu em cheio.
Eu participei de tudo do Jack, do primeiro body azul ao carrinho. Mas ter uma menina era diferente. A Sophia era a primeira filha que eu teria a oportunidade de ver crescer desde o ventre. Infelizmente, não participei dessas coisas da Chloe, já que soube da existência dela quando ela já tinha quase 2 anos.
Agora era diferente. Eu teria a oportunidade de comprar o primeiro body com sainha rosa da minha filha.
Bruna virou a cabeça e viu a minha expressão. Ela se aproximou, me dando um beijo no rosto.
- Lindo, né? Quer levar para a Sophia?
- É... é lindo demais. Com certeza vou levar. -minha voz saiu um pouco embargada.
Eu peguei o body. Aquele, com certeza, iria para o carrinho.
Nós passamos uma hora e meia ali, no meio daquele silêncio matinal do shopping. O carrinho de compras de bebê, antes vazio, agora estava transbordando com dois berços portáteis, quatro mantas (duas azuis e duas rosas), pilhas de fraldas e muita roupa.
E, pasme, ainda não tínhamos comprado tudo. A lista de Bruna era infinita.
- Amor, precisamos ir. O shopping já vai abrir para o público, e eu não quero causar tumulto. -eu disse, olhando para o relógio.
Enquanto empurrávamos o carrinho em direção ao caixa, a realidade da nossa nova logística familiar me atingiu.
- Bru, eu tava pensando, nós vamos precisar de um carro maior. -eu declarei, a testa franzida.
Ela parou e me olhou, já pensando na dificuldade de encaixar tudo no nosso SUV atual.
- Por quê? O nosso carro é grande!
- É grande, mas pensa comigo: vamos ter que colocar dois bebês conforto para o Matteo e a Sophia no banco de trás. E ainda precisamos do Jack e da Chloe nas cadeirinhas deles. Não vai caber.
Bruna parou um momento, processando a matemática do assento de carro.
- Você tem toda a razão, Justin. Vamos precisar de um carro com sete lugares!
Eu sorri. Era mais um item caro e urgente na nossa lista, mas fazia parte da aventura.
- Pois é. Além de enxoval, temos que ir atrás de uma van familiar de luxo! A vida de pai de quatro não é fácil!
Nós rimos, e seguimos para o caixa, passar toda a compra.
No estacionamento, a tarefa de enfiar todas as compras no carro foi épica. Conseguimos a proeza de socar as caixas e sacolas gigantescas tanto no porta-malas quanto no banco de trás, que parecia um campo minado.
Bruna suspirou, o som de alguém carregando um peso extra.
- Meu Deus. -ela murmurou, ofegante.- É como se eu corresse uma maratona todos os dias só de existir.
- Está tudo bem, amor. Fomos guerreiros. -eu disse, beijando-lhe a testa.
O carro estava abarrotado, mas conseguimos ir para casa. Jack e Chloe estavam na casa dos meus sogros, o que garantia um silêncio precioso.
Assim que chegamos, comecei a descer todas as coisas, levando-as para o quarto de hóspedes que, futuramente, seria o quarto dos gêmeos. Bruna estava cuidando dessa parte. A reforma para adaptar o espaço para Matteo e Sophia começaria nesta semana.
Quando levei a última caixa, encontrei Bruna sentada no sofá, tentando recuperar o fôlego. O peso da barriga de quase 24 semanas era visível.
- Você está bem, amor? -perguntei, sentando-me ao lado dela.
- Sim, só cansada. É só o peso. -ela disse, respirando fundo.
Eu não insisti. Pedi para ela deitar, e ela deitou a cabeça na almofada. Peguei um de seus pés inchados e comecei a massageá-los com firmeza e carinho.
- Você está fazendo um trabalho incrível, Bru. E essa maratona de grávida vai acabar logo.
O alívio em seu rosto me fez sorrir. Era o mínimo que eu podia fazer depois de um dia de compras.
Eu continuava a massagem nos pés de Bruna. Ela fechou os olhos, claramente relaxada. Era o momento perfeito, em um dia que a fez questionar o futuro da sua carreira.
- Amor, eu tenho uma coisa para te contar. -eu disse, baixinho, continuando a massagem.
Ela abriu um olho.
- O quê? É sobre o carro de sete lugares? Eu já sei que precisamos.
- Não. É sobre você. Sobre o seu diploma.
Eu respirei fundo e soltei a bomba.
- Eu comprei um espaço no shopping.
- Você comprou o quê, Justin? -ela levantou a cabeça, o cansaço esquecido.
- Comprei um espaço comercial. É para a sua futura loja, o seu ateliê. Eu comprei junto com a casa, em dezembro, quando a gente ainda estava em Nova York.
Ela se sentou, chocada.
- Você fez o quê? E por que você só está me contando agora?
- Eu queria te contar na formatura, como presente. Mas aí, você descobriu a gravidez antes e, logo depois, que eram gêmeos. Achei que a pressão seria demais. Eu adiei, mas... estou contando agora porque você precisa lembrar que tem algo enorme te esperando depois do puerpério.
Eu sorri.
- O espaço é enorme, Bruna. Fica perto das lojas de luxo. É o lugar perfeito para você lançar a sua marca no Brasil. A sua carreira não acabou, amor. Ela tem um QG pronto para quando você disser "agora vai!".
Os olhos dela estavam cheios de lágrimas, mas desta vez, não eram lágrimas de hormônio. Eram de gratidão e surpresa.
- Eu não acredito em você, Justin! Você é louco!
- Sou louco por você. E louco pela sua carreira. Agora deita, relaxa. A loja pode esperar, mas o seu descanso não.
Eu a ajudei a deitar novamente e voltei a massagear seus pés.
Bruna acabou pegando no sono. O cansaço era grande, e eu não podia culpá-la. Seu rosto estava sereno, a mão descansando na barriga enorme que abrigava Matteo e Sophia. Ela era a pessoa mais forte que eu conhecia, e merecia todo o descanso do mundo.
Eu me levantei cuidadosamente para não perturbá-la. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Kenny. Mesmo de longe, ele continuava a ser o responsável por resolver os problemas logísticos da minha vida.
Eu precisava do carro agora. Não queria que a Bruna precisasse passar pelo estresse de encaixar duas crianças e dois bebês no nosso carro atual.
Digitei a mensagem, com a urgência que o nascimento iminente de dois filhos exigia:
"Kenny, preciso de um favor urgente. Compra uma van familiar de luxo, 7 lugares, a mais segura do mercado. Algo discreto, mas que comporte dois bebês conforto, Jack e Chloe, mais a Bruna e eu. Preciso dela em São Paulo o mais rápido possível. Não se preocupe com o preço, apenas com a velocidade. A Bruna está com quase 24 semanas e a logística está impossível. Me avisa quando tiver o modelo."
Enviei a mensagem e bloqueei a tela do celular. Kenny era eficiente. Eu sabia que ele resolveria isso em tempo recorde.
2 dias depois...
Dois dias se passaram desde as compras caóticas do enxoval e a minha revelação surpresa do espaço comercial de Bruna. A reforma no quarto dos gêmeos começaria hoje.
Acordei de manhã cedo, a casa estava silenciosa. Bruna ainda dormia profundamente, e as crianças também. Fui para a cozinha fazer café na cafeteira.
Enquanto esperava a máquina trabalhar, peguei meu celular e comecei a mexer no Instagram.
Vi que hoje, 13 de agosto, era oficialmente o aniversário de casamento de Marina e Luan.
Eles postaram fotos e textos comemorando a data.
marinabieber ✨ 13/08/2028: Um ano de 'sim' para o amor da minha vida! ✨
Há exatamente um ano, prometemos um ao outro o nosso futuro, em meio a uma tempestade que quase nos levou (literalmente!). Mas a verdade é que, Luan, você é a minha paz e o meu porto seguro em qualquer furacão.
Obrigada por construir a nossa família, por ser o melhor pai para a Serena e por ser o meu maior fã. Mal posso esperar para envelhecer ao seu lado e ver todos os seus sonhos se realizarem.
Te amo. Feliz um ano! E que venham os próximos 50! @luansantana
luansantana 13.08 | E aqui estamos, um ano depois.
O dia em que casei com a mulher mais linda, mais forte e mais louca que já conheci. Marina, você virou o meu mundo de cabeça para baixo e o colocou no lugar certo. Você me deu a família que eu nem sabia que precisava e a chance de ser a melhor versão de mim mesmo.
Meu coração é seu, e a vida é muito melhor com você ao meu lado. Feliz nosso dia, meu amor.
Te amo daqui até a lua e volta ❤️ @marinabieber
Eu sorri. Era bom ver os dois tão felizes e unidos.
O café ficou pronto, e eu já podia sentir o cheiro. Eu servi uma xícara fumegante de café e me sentei na bancada da cozinha. O silêncio da manhã era o momento perfeito para processar o turbilhão dos últimos dias.
Minha mente voou para o almoço maravilhoso que fizemos ontem. Foi Dia dos Pais aqui no Brasil, e mesmo que essa data seja celebrada em maio nos Estados Unidos, a reunião de ontem com meus sogros, Bruna, Luan, Marina e as crianças foi especial.
Porém, senti uma ponta de melancolia. Senti falta de passar a data ao lado do meu próprio pai.
Eu estava me adaptando bem no Brasil. Eles eram, sem dúvida, mais calorosos, mais amorosos e expressivos um com o outro. Eu gostava disso; era muito diferente da minha família. Minha mãe morava em Nova Jersey, e eu só comecei a vê-la com mais frequência quando Jack nasceu e, claro, quando a Chloe chegou em nossas vidas. E mesmo meu pai morando perto de mim em Nova York, eu mal o via.
Meu maior desafio ainda era a comunicação. Eu arranhava o português. Conseguia compreender algumas coisas, ler e ouvir, mas a fluência era zero. O português tinha muitas gírias, e às vezes a Bruna tinha que traduzir para mim. Especialmente quando nos reuníamos, como ontem, eles falavam em inglês por conta da minha dificuldade.
Eu havia me matriculado em aulas. Em breve, iria começar, pois precisava me integrar de verdade. As crianças seriam minha motivação: no ano que vem, elas iriam começar em uma pré-escola bilíngue para aprenderem o português, mas também para não esquecerem a língua "nativa" – que, no caso do Jack, não era tão nativa, já que ele também era brasileiro.
Eu decidi que a manhã merecia um toque especial. Bruna e as crianças adoravam pão de queijo quentinho.
Deixei meu café esfriando na bancada da cozinha, peguei as chaves do carro e saí. A padaria ficava dentro do condomínio, mas era mais rápido ir de carro, especialmente para voltar com a sacola pesada.
Chegando na padaria, tive a pequena dificuldade de sempre. Tentei articular o meu pedido para a atendente:
- Eu... eu queria... twenty... vinte... vinte pães de queijo, por favor. Para take away... levar.
A atendente era sempre paciente comigo. Na primeira vez que eu tinha vindo aqui, meses atrás, ela tinha quase surtado ao me ver, mas se conteve por estar no seu ambiente de trabalho. Agora, acho que ela acostumou, ou finge muito bem que a estrela pop internacional que se mudou para o condomínio pedindo twenty pães de queijo é algo normal.
Ela sorriu, calmamente.
- Vinte pães de queijo, entendido, senhor Justin. Quer algo mais? Um café?
- Não, obrigado. Café... at home... em casa.
Ela preparou o pedido rapidamente. Eu paguei, agradeci com meu melhor "obrigado" arranhado e voltei para o carro.
Assim que cheguei em casa, o interfone tocou.
- Que ótimo momento. -murmurei, colocando o saco quente de pão de queijo na bancada.
Atendi. Era o porteiro. E mais uma vez, um desafio de comunicação. Ele tentava me dizer algo, a voz cheia de gírias e o sotaque acelerado do Brasil, e eu tinha dificuldade para entender qualquer coisa além de "liberar" e "visita".
- One moment... espere, por favor. Eu... eu não entendo. -eu estava suando.
Por sorte, Bruna desceu as escadas naquele momento. Ela estava com uma camiseta larga e o cabelo preso, mas já com aquele brilho matinal. Ela pegou o interfone da minha mão com naturalidade.
- Oi, pode falar... Ah, é a Dona Luzia? Sim, pode deixar entrar. Obrigada, tchau.
Ela desligou.
- Bom dia, meu amor. -eu a beijei rapidamente.- O que o porteiro queria? Eu não entendi nada.
Ela pegou o saco de pão de queijo da bancada, inspecionando o conteúdo.
- Ele queria que eu autorizasse a entrada da Dona Luzia.
- Dona Luzia? -perguntei, confuso.- Quem é essa?
Bruna parou de mexer no saco e me olhou.
- Ah, eu esqueci de te avisar. É a mulher que vai limpar nossa casa a partir de hoje. Com as reformas, as crianças e a minha barriga de quase seis meses, nós precisamos de ajuda profissional.
Nesse momento, ela finalmente abriu o saco. O cheiro de queijo quente e fermento invadiu a cozinha. O sorriso dela se alargou.
- Pão de queijo! -ela pegou um e deu uma mordida.- Eu te amo! Você é um anjo!
Eu peguei o saco de pão de queijo da mão de Bruna e o coloquei no centro da mesa.
- Senta aqui na mesa. -eu disse, apontando.- Eu vou servir suco para você, já que a senhora está proibida de cafeína pela médica.
Eu servi um copo de suco de laranja para ela e peguei minha xícara de café, que agora estava morno. Sentei-me ao lado dela e comecei a comer.
Nós conversamos um pouco, aproveitando os últimos minutos de paz antes do caos do dia começar e as crianças acordarem. Falamos sobre os planos da reforma do quarto dos gêmeos e sobre o espaço da loja dela.
De repente, a campainha tocou.
- Deve ser a Dona Luzia. -Bruna disse, se levantando.
Eu não fiz menção de ir atender. Não ia adiantar. Dona Luzia não iria entender nada que eu dissesse no meu inglês misturado com meu português arranhado.
Bruna abriu a porta e, logo depois, deu espaço para a senhora entrar.
- Bom dia, Dona Luzia, seja bem-vinda! Esse aqui é meu marido, o Justin.
Dona Luzia se virou e, quando me viu, arregalou os olhos. O choque era evidente em seu rosto, e eu soube que ela não estava esperando ver o Justin Bieber na sua frente em uma manhã de segunda-feira.
Eu me levantei e fui até ela, estendendo a mão para cumprimentá-la com um sorriso.
- Nice to meet you... prazer.
Ela aceitou minha mão, ainda em choque.
- Meu Deus do céu... -ela murmurou, em um português rápido que eu não consegui acompanhar.
Enquanto Bruna foi instruir a Dona Luzia, o interfone tocou novamente. Eu revirei os olhos.
Atendi. Desta vez, consegui compreender que era o pessoal da reforma do quarto, pois o homem falou o nome da empresa claramente. Liberei a entrada e desliguei.
Logo, as crianças apareceram juntas. Chloe e Jack estavam com cara de sono e cabelo despenteado.
- Bom dia, Chloe! Bom dia, Jack! -eu disse, pegando os dois no colo.
Eu os chamei para tomarem café. Eles sentaram na bancada e eu servi suco para eles, enquanto já devoravam o pão de queijo.
Bruna estava no andar de cima com a Dona Luzia, que era uma senhora de aproximadamente 50 anos, bem humilde e com um ar de quem entendia de trabalho pesado.
Bruna voltou para a cozinha com ela e explicou as últimas instruções. Eu só entendi a parte mais importante: Dona Luzia não precisava se preocupar em olhar ou cuidar das crianças, apenas em manter a ordem e a limpeza da casa.
Nesse exato momento, a campainha tocou.
- Deixa que eu atendo. -eu disse, já sabendo quem era.
Fui até a porta e cumprimentei a equipe de reforma. Eu os levei direto até o quarto onde seria o dos gêmeos, dando algumas instruções básicas sobre onde deixar as ferramentas e o horário de trabalho.
Enquanto eu voltava, Bruna estava terminando de mostrar onde ficavam os produtos de limpeza da casa para a Dona Luzia.
Com a casa sob o comando da Dona Luzia e a reforma em andamento, era hora de tirar as crianças do caminho do caos.
Chloe me chamou, e Jack se juntou ao coro:
- Brinca com a gente, papai!
- Que tal andarmos de bicicleta, hein? O dia está bonito. -sugeri.
Eles se animaram na hora. Jack já respondia com entusiasmo:
- Sim, papai! Bicicleta!
Bruna apareceu no andar de cima, dessa vez sozinha:
- Bruna, amor, você quer dar uma caminhada com a gente? -perguntei.
Ela suspirou, olhando para a barriga, mas topou:
- Uma caminhada leve, tudo bem. Preciso me movimentar.
Fui pegar os equipamentos de segurança. Enquanto Bruna pacientemente colocava o capacete e as joelheiras na Chloe, eu fiz o mesmo no Jack.
Assim que estavam paramentados, eles correram para pegar as bicicletas de rodinhas nos fundos.
Ajudei Bruna a colocar os tênis. A barriga já atrapalhava bastante, e ela precisava de equilíbrio.
Coloquei meus tênis também, e logo saímos pelo condomínio. Segurei na mão de Bruna enquanto ela caminhava, garantindo que ela tivesse o apoio que precisava.
As crianças se lançaram na frente, competindo para ver quem era o mais rápido.
- Jack, eu sou a mais rápida! -Chloe gritou, pedalando com toda a força na sua bicicletinha rosa.
- Não é! Eu vou ganhar! -Jack gritou de volta, esforçando-se na sua bicicletinha azul.
Bruna e eu andávamos lado a lado, rindo da disputa.
- Esses dois são competitivos demais. -ela comentou.- Se os gêmeos forem assim, a casa vai virar um campo de batalha.
- Pelo menos eles terão energia. -eu respondi, beijando a cabeça dela.- Você está bem com a caminhada, amor?
- Estou ótima. É bom sair um pouco.
- Olha, mamãe! Eu tô muito rápido! -Jack gritou, se virando brevemente antes de quase bater em um poste.
- Cuidado, Jack! -Bruna gritou, rindo do susto.
Eu a observei. Estava com a barriga enorme, cansada, mas com aquele brilho resiliente nos olhos. Ela tinha uma designer de moda presa dentro de uma supermãe de quatro, e eu amava cada faceta.
Segurei a mão dela com mais firmeza, entrelaçando nossos dedos.
- Você está feliz, não está? -perguntei, observando a cena: as bicicletas, o verde do condomínio, o som das risadas de Chloe e Jack.
- Muito. -ela respondeu, encostando a cabeça no meu ombro por um instante.- É um caos barulhento, mas é o nosso caos.
Eu concordei, olhando para o futuro: as cadeirinhas de carro, as fraldas duplas, a loja dela. O plano estava se desenhando.
- O Matteo e a Sophia vão adorar andar de bicicleta aqui um dia. -eu disse, beijando sua mão.- Competir quem é mais rápido.
Bruna riu.
- As garotas sempre são mais rápidas wue os garotos.
Dessa vez, eu ri.
Nós caminhamos em silêncio por mais um quarteirão, apenas observando a nossa família no eixo. O Brasil estava nos tratando bem.
Aquele era o meu lugar.