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Capítulo 152

Marina Narrando

Eu estava no banco de trás do carro, com o Luan ao meu lado, enquanto o Justin dirigia seriamente. A Bruna estava no banco do passageiro, focada no GPS e na ansiedade da formatura.

Olhei para o exterior. Nova York era linda a noite, mas não era mais o nosso lar. O Brasil era a nossa casa agora.

Virei o rosto e peguei Luan me observando. Nossos olhares se encontraram e nós dois sorrimos. Ele estava tão gato no seu conjunto de alfaiataria verde-claro acinzentado e as botas fashionistas. Eu me sentia igualmente poderosa no meu vestido lilás de poás, meia calça e nos sapatos plataforma altíssimos.

Nós dois estávamos na nossa melhor fase, sem dúvidas. Eu estava terminando de gravar "Rio Connection" no Brasil e já tinha um papel de peso na mesa; ele estava brilhando nos palcos, fazendo cada vez mais sucesso; e nossa filha, Serena, com seus dois anos, era linda e esperta. Tudo fazia sentido para nós.

Ele alcançou minha mão, beijando-a no dorso com aquela intensidade que só ele tinha.

- Você está linda, Senhora Santana. -ele sussurrou.

Eu adorava como meu novo sobrenome soava nos lábios dele. Era sexy. Senti aquela vontade súbita de arrancar nossas roupas ali mesmo, no banco de trás do carro do meu irmão, a caminho da formatura. Tive que me conter. Afastei os pensamentos impuros e retribuí o elogio.

- Você também está um charme, Senhor Santana. O verde é definitivamente a sua cor.

O clima entre nós estava palpável, e Bruna, que estava atenta à rua, notou a troca intensa de olhares e mãos entre nós pelo retrovisor.

- Dá para controlar essa mão no banco de trás, por favor? -Bruna reclamou, sem desviar os olhos da estrada.- A tensão sexual de vocês dois está irradiando e deixando o ar aqui na frente insuportável! 

Eu e Luan caímos na gargalhada, ele soltou minha mão, nós nos entreolhamos com a promessa de que a noite seria longa e quente depois da formatura.

Nós chegamos cedo, é claro, por conta da nossa formanda. Fazia tempo que eu não pisava na Columbia University, e me deu até uma certa nostalgia do tempo breve que estudei aqui antes de largar tudo pela atuação.

Fomos direto para o auditório. Bruna foi para a área de concentração, junto com os outros formandos. De longe, avistei meus sogros com as crianças já sentados e guardando lugares para a gente. Apontei para Justin e Luan, e nós fomos até lá. Avistei os pais de Virgínia e os pais de Olívia de longe, acenei rapidamente, feliz por ver rostos familiares.

Me sentei. Serena imediatamente quis vir para o meu colo, e eu a peguei. Ficamos brincando de fazer caretas uma para a outra enquanto o auditório lotava.

Senti alguém pôr a mão no meu ombro. Olhei e era o meu pai e a Ashley chegando, junto com o pequeno Jordan, que já estava prestes a completar 1 ano e estava ficando a cara do Justin.

Ashley se aproximou com o rosto, entre mim e Luan, e falou no meu ouvido:

- Eu sonhei que você estava grávida. Você não tem nada para nos dizer, Marina?

Eu ri, achando graça na intuição dela. Olhei para ela e disse, divertida:

- Não, Ash. Absolutamente nada. Zero bebês no meu útero.

Ela me olhou com os olhos semicerrados e disse, com a maior naturalidade:

- Ah, Marina, para. Sua barriga já está saliente.

Meu sorriso vacilou. Troquei olhares com Luan, que tinha ouvido tudo e estava com a testa franzida. Eu não estava grávida, e isso era uma certeza. A minha cintura não estava exatamente "saliente", mas com o vestido de poás justinho, a barriga certamente estava mais marcada.

A Ashley tinha me chamado de gorda na cara dura, na frente do meu marido! Fiquei totalmente sem resposta, sentindo o rubor subir pelo meu pescoço.

Ashley apenas deu de ombros e se sentou na fileira atrás de nós, ao lado do meu pai e do pequeno Jordan.

Eu fiquei paralisada, com a droga do seu comentário infeliz na minha cabeça. Sua barriga já está saliente. O calor da vergonha se misturou com a raiva. Eu estava linda no meu vestido, me sentindo poderosa, e essa mulher vinha e me chamava de gorda?

Eu apertei a Serena no meu colo com força.

Luan, percebendo meu silêncio e a tensão no meu corpo, agiu imediatamente. Ele virou-se um pouco e beijou meu ombro.

- Você está ótima, amor. O seu corpo está perfeito. -ele sussurrou, a voz cheia de convicção.

Eu tentei sorrir para ele, mas a irritação persistia. Era a última coisa que eu precisava ouvir antes de assistir à formatura da minha cunhada, sabendo que a barriga dela, sim, estava saliente com gêmeos. O comentário de Ashley tinha estragado o momento.

Serena percebeu a minha tensão, estendeu os braços para Luan.

- Papai! -ela chamou.

Luan, feliz por desviar o foco da minha irritação, a pegou no colo. Ele começou a fazer cócegas nela, distraindo-a do burburinho ao nosso redor.

Eu peguei meu celular para me distrair, abrindo o Instagram. Eu precisava parar de pensar no comentário infeliz de Ashley.

A primeira foto que apareceu foi a de Bruna, a foto que eu tinha tirado dela mais cedo, em frente ao sofá. Ela estava linda, radiante no vestido rosa.

brusantanareal O fim de uma jornada e o começo de uma vida completamente nova. Pronta para meu diploma 🎓💖


Logo em seguida, apareceu o post de Justin, com a foto de casal que tirei deles.

justinbieber Hoje é a noite da minha garota. Parabéns @brusantanareal, por essa conquista épica. Você é a mais inteligente e forte. E a partir de agora, é minha estilista particular. Te amo! ❤️

Eu sorri ao ver a felicidade dos dois e o entusiasmo com o futuro. O foco devia ser a formatura. Eu respirei fundo, determinada a ignorar a mesquinhez de Ashley. O que importava era a celebração de Bruna.

A foto da Bruna e do Justin me deu o empurrão que eu precisava para postar a minha também. Abri a galeria, escolhi a foto linda que Marta tirou de mim e do Luan no jardim. Estávamos perfeitos.

Se a Ashley queria me deixar para baixo, eu ia mostrar que estava na minha melhor fase, e com o homem mais maravilhoso ao meu lado.

Eu postei a foto com uma legenda curta e bem romântica.

marinabieber Minha metade. Meu futuro é você @luansantana ❤️

Eu guardei o celular e olhei para o Luan, que estava com a Serena no colo. Ele me deu um sorriso que valia mil palavras. O estresse de Ashley estava oficialmente substituído pela felicidade de estar ali.

O auditório ficou escuro. As luzes focaram no palco. A cerimônia de formatura estava prestes a começar.

A cerimônia de formatura em uma universidade americana como a Columbia é um evento grandioso, diferente da formalidade mais rígida do Brasil. Havia uma pompa solene, mas também um ar de celebração moderna.

A banda da universidade começou a tocar, e a procissão de formandos entrou no auditório, vestidos com as tradicionais becas e capelos.

Eu olhei para Justin. Ele estava nervoso e orgulhoso ao mesmo tempo, batucando os dedos no joelho.

- Ali está ela! -Justin sussurrou, apontando.

Avistamos Bruna na fila. Mesmo sob a beca, ela irradiava determinação. Ela tinha conseguido.

A cerimônia seguiu com discursos de reitores, professores e o orador da turma. Os discursos eram longos e inspiradores, falando sobre ambição, mudança e impacto.

Quando chegou a hora da entrega dos diplomas, a tensão na nossa fileira era palpável. Antônio e Marta estavam emocionados. Chloe e Jack estavam, para a nossa surpresa, quietos e fascinados pelas luzes. Serena estava no colo de Luan, batendo palmas a cada nome que era chamado.

Finalmente, chegou a parte dela.

- Bruna Domingos Santana Bieber, Bachelor of Arts in Fashion Design (Bacharel em Artes em Design de Moda) -o reitor anunciou.

A barriga dela, apesar do disfarce, ficou visível por um momento enquanto ela subia os degraus até o palco. Ela parecia uma rainha.

Bruna pegou o diploma, cumprimentou o reitor e posou rapidamente para a foto. A plateia aplaudiu, e a nossa fileira gritou. Justin assobiou e bateu palmas com todas as suas forças.

Ela nos procurou com os olhos e encontrou a nossa fileira. O sorriso dela era de pura realização. Era o fechamento de um ciclo e o pontapé inicial para a nova vida que a esperava no Brasil, com o marido, os filhos e os dois gêmeos a caminho.

brusantanareal She did it! 🎓 Quase 5 anos anos depois, finalmente sou Bacharel em Artes em Design de Moda.

Quando decidi fazer esse curso na University Columbia, jamais imaginei que conheceria minhas três melhores amigas — e que uma delas se tornaria minha cunhada —, jamais pensei que teria um filho no meio do processo, que conheceria o amor da minha vida, e que me casaria com ele. A vida nos surpreende da melhor maneira, eu não poderia estar mais grata por todos esses anos! 

Nova York, você foi incrível. Mas agora, está na hora de voltar pra casa! 🇧🇷💖
1 mês depois...

Um mês se passou desde a formatura. Agora era final de junho, e estávamos todos instalados em São Paulo.

Ter Bruna, Justin e as crianças por perto estava sendo incrível. O condomínio estava caótico, mas cheio de vida. Eu havia terminado as gravações de "Rio Connection" há uma semana e estava podendo dar mais atenção à minha família antes de iniciar meu próximo projeto. Eu aceitei o papel da série Tremembé; seria um desafio enorme e uma oportunidade ótima.

Justin estava na correria, gravando músicas e compondo, preparando seu grande retorno aos palcos. Luan continuava com sua agenda cheia, conciliando shows e compromissos com a Universal Music.

Hoje, eu fui com Bruna ao ultrassom dos gêmeos. Eu seria a guardiã do segredo para o chá revelação e estava extremamente ansiosa para saber se teríamos um par de meninos, meninas ou um casal.

Enquanto a médica passava o transdutor na barriga de Bruna, ela falava sobre os nomes.

- Se for casal, são Matteo e Sophia. Dois meninos, Matteo e Lucca. Duas meninas, Sophia e Melissa. -Bruna respondeu, com a voz firme.

A médica assentiu com a cabeça, concentrada. Eu olhava para a tela, onde as duas bolinhas se destacavam.

- Meu Deus, são dois mesmo, né? -perguntei, ainda chocada com a visão.

- Sim, Marina. -a médica confirmou, sorrindo.- Cada um na sua placenta, bem bonitinhos e desenvolvidos. -ela se virou para Bruna.- Você já sabe a data provável do parto?

- Ainda não, doutora.

- Bom, a data provável seria 04 de dezembro, quando você completa 40 semanas. Mas, por ser gestação gemelar, há riscos de nascerem prematuros. É crucial que você se cuide muito, Bruna. Faça atividades físicas leves, se alimente bem, e tente levar a gestação no mínimo até 36 semanas.

Bruna assentiu com a cabeça, séria com a responsabilidade.

Depois do ultrassom, enquanto Bruna limpava a barriga do gel, a médica me entregou o papel dobrado com os sexos dos bebês.

Agradecemos e saímos. Bruna me olhou, impaciente.

- Eu quero ver a sua reação lendo o que é! Abra!

Eu guardei o papel no bolso, rindo da impaciência dela.

- Não vai ver reação de ninguém, Bruna. Eu sou uma muralha. O segredo está a salvo comigo até a revelação. Agora, vamos tomar um açaí.

A clínica que fomos ficava em um shopping, então fomos direto para a praça de alimentação. Bruna estava irredutível quanto à celebração.

- Eu não quero festona, Mari. -ela disse, enquanto procurávamos um lugar.- Eu quero algo íntimo, na sala da casa, só a gente, o Justin, o Luan, a Serena e os meus pais. Simples.

Eu assenti com a cabeça. 

- Perfeito. Menos trabalho para mim e mais significado.

Achamos um lugar que vendia açaí e nós pedimos. Eu estava viciada em açaí desde que cheguei no Brasil, e mesmo sendo final de junho, época mais fria, eu não abria mão do meu copo gelado.

Nós nos sentamos para esperar os pedidos. Bruna disse que ia ao banheiro. Ela se levantou, e a barriguinha de 16 semanas estava totalmente visível e gemelar. Meu Deus, eu sentia arrepios só de imaginar um dia gerar gêmeos. O medo de que isso pudesse acontecer comigo, após o que Marta e Antônio contaram, era real, mas a visão da Bruna grávida era linda.

Assim que ela virou o corredor, peguei o papel dobrado que a médica me deu do bolso da minha calça e o abri.

Meus olhos percorreram a folha e pararam no veredicto. Um sorriso enorme e emocionado tomou conta do meu rosto.

Eu respirei fundo, sentindo o calor da notícia. A Bruna e o Justin vão surtar quando souberem.

Dobrei o papel novamente, guardando o papel com o segredo no bolso. Logo os nossos açaís chegaram, e Bruna voltou do banheiro.
Ela estava pegando a colher para a primeira colherada, quando eu lancei a ideia.

- Bruna, já que você não quer festona, e sim algo íntimo... Por que a gente não faz o chá revelação amanhã mesmo?

Ela parou com a colher no ar e me olhou, os olhos arregalados.

- Amanhã? Você não acha que é muito em cima?

- Não! -insisti, animada.- O Luan chega hoje à noite, amanhã ele estará de folga. É só ligar para seus pais e convidar. É perfeito. Assim você não vive com a ansiedade por muito tempo.

Bruna sorriu, o alívio na sua expressão. Ela odiava esperar.

- Quer saber? Você está certa. Amanhã será! 

Ela pegou o celular para mandar mensagem para os pais, e eu tomei um grande gole do meu açaí, sentindo a emoção.

Terminamos de tomar o açaí e pagamos a conta. Saímos da praça de alimentação e fomos em direção à escada rolante. O plano para amanhã estava definido, e o tempo era apertado.

- Ma, eu preciso passar na Carter's. -Bruna me disse.- Os gêmeos não têm absolutamente nada!

- Vai lá. Eu vou comprar as coisas para o chá revelação e depois te encontro. Preciso de balões, bolos... tudo em tempo recorde!

Nós paramos por um momento. Bruna lançou um olhar matreiro, aproveitando-se do meu papel de guardiã do segredo.

- Só me diz uma coisa, Ma... eu compro roupas rosa ou azul? Ou os dois?

Eu não consegui dizer uma palavra. Aproximei-me dela e, com a melhor expressão de "Vou te matar", mostrei o dedo do meio para ela.

- Vai se ferrar! -eu disse, rindo.- Você não vai estragar a minha missão! Compre branco!

Bruna riu, satisfeita por ter conseguido me perturbar um pouco.

- Te amo! Te vejo em breve!

Nós nos separamos, e eu corri em direção à loja de artigos de festa, sentindo a adrenalina do planejamento de última hora. 

Depois de comprar os balões, o pó colorido e as decorações unissex em tempo recorde, fui direto para a Carter's para encontrar a Bruna.

Eu a encontrei com um carrinho incrivelmente cheio, mas de coisas para a Chloe e o Jack. Ela estava no corredor de roupas de quatro anos e parecia ter ignorado totalmente a seção de recém-nascidos.

- Bru, achei que você ia comprar roupas pros gêmeos! -eu disse, rindo da montanha de camisetas e meias de dinossauro.

- Ah, é melhor vir e comprar as coisas certas depois da revelação, né? -ela respondeu, com aquela lógica impecável dela.- Imagine o trauma de ter que trocar 50 bodies azuis se forem duas meninas?

Eu assenti com a cabeça, observando as compras dela. Meu olhar parou em um conjunto cor de rosa muito pequeno, muito, muito menor para ser para a Chloe ou para a Serena.

- E para quem é isso aqui? -questionei, erguendo o vestidinho cor-de-rosa, um tamanho que só caberia em um recém-nascido.

Bruna sorriu, com um olhar de quem aprontou. 

- Ah, eu achei lindo. Não sei se um dos bebês é menina, mas eu vou levar mesmo assim.

Ela fez uma pausa dramática e me olhou.

- E se vierem dois meninos, fica de presente para a sua próxima filha, Mari. 

Eu joguei o conjunto de volta no carrinho com força.

- Sai pra lá, Bruna! -eu disse, com humor, mas com a convicção de uma mulher que já ouviu as histórias de terror da Marta.- Eu não vou ficar grávida tão cedo! 

Bruna gargalhou.

- Eu sei, eu sei. Mas é fofo!

Bruna foi para o caixa e, apesar de eu saber que teríamos tempo de sobra para comprar as coisas, ela não se conteve. Ela pagou todas as roupas e saímos da loja com uma montanha de sacolas.

- Bruna, pelo amor de Deus! -eu disse, pegando duas sacolas em cada braço.- Você comprou roupa para um batalhão de crianças.

- Você sabe que criança perde roupa fácil, e Chloe e o Jack crescem muito rápido! E o inverno brasileiro está chegando! -ela se defendeu, equilibrando mais três sacolas e a bolsa.

- Bruna, isso não é sustentável! Deixe-me levar isso!

Tentei ajudar, mas ela era exagerada às vezes, e as sacolas estavam pesadas.

- Eu aguento! É exercício para o parto! -ela disse, respirando fundo e se arrependendo do comentário imediatamente.- Brincadeira. Me ajuda, por favor.

Nós caminhamos até o estacionamento, parecendo duas sherpas de shopping. Ajudei-a a guardar a montanha de sacolas no porta-malas do carro.

- Ok, você fica no carro e eu vou pagar o estacionamento. Não se mova! -eu ordenei.

Corri para o caixa de pagamento, paguei o ticket e voltei para o carro.

- Pronta para transformar a sua sala em um salão de festas express? -perguntei, entrando no carro.

Bruna sorriu, ligando o carro.

- Prontíssima! E ansiosa para ver o que você comprou. Não me faça passar vergonha com decorações de último minuto, Marina!

- Confie em mim. Eu sou uma estrela de cinema e manager de eventos. E o mais importante, eu sou a guardiã do segredo!

Nós saímos do shopping. 

Eu estava concentrada na estrada. Dirigir em São Paulo é caótico, não importa a hora, e eu estava tensa, tentando memorizar as saídas.

Bruna, ao meu lado, não demorou a retomar o assunto favorito dela: a minha maternidade.

- Mas, Mari, a Serena tinha que ter irmãos para brincar! Ela vai ficar sozinha.

- Bru, você e o Justin já deram muitos primos para ela brincar. -respondi, com humor.- São a Chloe, o Jack e agora mais os gêmeos a caminho! Ela está mais do que servida!

Respirei fundo, falando sério agora.

- Mas, falando de verdade, agora estou focada em estabilizar minha carreira aqui. O Luan também tem os projetos dele. Parar tudo agora para ter um filho não é o momento. Acabamos de nos mudar, Bruna.

Bruna parou de olhar para a janela e se virou para mim. Aquele era o erro, porque a conversa tomou um rumo diferente.

- Olhe para mim, Marina. Eu nem tenho uma carreira. Eu me formei na Columbia e, no mesmo mês, tive que pausar tudo e fugir. Eu virei uma parideira! Eu vou mais uma vez pausar minha vida inteira por causa de uma gravidez e agora por duas de uma vez!

A voz dela estava carregada de uma frustração que eu não tinha percebido antes. Ela estava feliz pelos bebês, eu sabia, mas a pausa forçada em sua vida estava pesando. Eu notei que a conversa estava ficando séria demais, passando do humor para a insegurança.

- Bruna, não fala assim! -eu disse, suavizando a voz.- Você tem uma carreira, sim. O design de moda não vai fugir de você. E você está construindo uma família linda.

Parei no sinal vermelho e virei meu corpo o máximo que pude para olhá-la.

- E olha, sua vida não está pausada, ela só mudou de formato. Você se formou na Columbia, e esse diploma ninguém tira de você.

Eu segurei a mão dela.

- Você acabou de voltar para o Brasil, calma que a gente vai montar o seu estúdio, e você vai desenhar a sua primeira coleção depois que os bebês nascerem. Vamos montar uma loja chique no shopping e você será igual a Louis Vuitton, Gucci.

Eu sorri, tentando injetar entusiasmo na voz.

- Você vai ter uma história incrível. Uma designer de moda que se formou grávida de gêmeos, e que veio revolucionar a moda brasileira! É um conto de fadas caótico! Você não está parando; você está pegando o atalho mais louco para o estrelato, Bruna.

Ela me olhou por um momento, absorvendo minhas palavras. A frustração ainda estava ali, mas o olhar estava menos pesado.

- Você acha mesmo? Que eu vou conseguir?

- Eu sei que você vai. Você é uma Santana e uma Bieber. E agora, chega disso, temos um chá revelação para organizar.

Bruna suspirou, um suspiro de alívio e aceitação.

- Obrigada, Marina. Sério. Você é a melhor.

- Não precisa agradecer. Lembre-se, você tem tudo o que precisa. O diploma, o talento... e os hormônios de uma super-heroína! Você vai fazer tudo no seu tempo. Você é uma inspiração.

Eu pisquei e arrematei, voltando ao nosso humor leve:

- E em troca desse apoio moral incrível, eu deixo você me vestir como uma Barbie na sua primeira coleção, sem reclamar de nenhum glitter!

Bruna riu, voltando a si. 

- Feito! Eu vou fazer você brilhar!

O sinal abriu, e eu voltei a focar na estrada, sentindo que, pelo menos por enquanto, a crise havia sido evitada.

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