Pular para o conteúdo principal

Capítulo 1

Marina Narrando

Segunda-feira, 26 de Agosto de 2024

O sol de Nova York brilhava forte quando pisei no campus da Columbia pela primeira vez como caloura. Meu coração batia rápido, misturando ansiedade e empolgação. Eu queria essa nova fase, esse recomeço. Mas eu não estava sozinha: meu meio-irmão, Justin, também estava ali comigo, dividindo essa jornada.

A relação entre nós sempre foi… complicada. Não por falta de amor, mas porque crescemos em lares diferentes. Nosso pai nos conectava, mas éramos frutos de duas histórias completamente distintas. Mesmo assim, de alguma forma, tínhamos encontrado uma amizade dentro desse laço.

- Pronta para conquistar Nova York? -Justin perguntou, ajeitando a alça da mochila no ombro. -sorri de canto.

- Mais do que pronta.

Enquanto caminhávamos pelo campus, senti uma onda de nostalgia e adrenalina. E então, de repente, ouvi uma voz familiar:

- MARINA!

Antes que eu pudesse reagir, fui envolvida por um abraço esmagador de Olivia, minha melhor amiga desde o ensino médio. Logo em seguida, Virgínia veio correndo, com o mesmo entusiasmo.

- Meu Deus, vocês estão aqui! -falei, rindo.

- É claro que estamos! -Olivia disse, me soltando.- E você? Como foi a mudança da sua mãe para Filadélfia?

- Terrível. -brinquei.

Justin apenas observava, balançando a cabeça, acostumado com a intensidade das minhas amigas.

- Vou deixar vocês botarem o papo em dia. -ele disse.- Tenho que pegar minhas chaves do dormitório.

E com isso, lá estava eu, de volta às minhas raízes, cercada por amizades antigas em uma cidade completamente nova. A aventura estava só começando.

- Me contem tudo! -exclamei, segurando as mãos de Olivia e Virgínia enquanto caminhávamos pelo campus.

- Primeiro de tudo, esse lugar é enorme. -Virgínia disse, olhando ao redor.- A gente chegou sábado e ainda estou tentando decorar onde fica cada prédio.

- E os veteranos são… -Olivia arqueou as sobrancelhas de um jeito sugestivo.- Interessantes. -revirei os olhos, rindo.

- Você não perde tempo, né?

- Querida, eu só observo. Mas e você? Tá animada pra essa nova fase?

- Muito. Mas, ao mesmo tempo, é estranho. Quero dizer, é uma mudança grande, e eu ainda estou me acostumando com a ideia de dividir um campus com o Justin.

- Ele é gato. -Virgínia deu de ombros.

- Ai, não começa. -gemi.- É meu irmão!

- O que não muda o fato de que ele parece um modelo de revista.

Suspirei. Era inevitável. Justin chamava atenção, e eu sabia que teria que ouvir esse tipo de comentário com frequência.

Cruzamos o gramado e chegamos ao prédio principal, onde pegaríamos nossos horários. O lugar estava lotado de calouros, todos com a mesma mistura de empolgação e nervosismo.

- Qual é sua primeira aula? -perguntei a Olivia.

- Literatura Contemporânea.

- E a sua, Virgínia?

- História da Arte.

Olhei no meu papel. Primeira aula: Introdução à Atuação.

Sorri sozinha. Era o primeiro passo para o meu sonho de ser atriz.

Foi então que senti alguém esbarrar em mim com um pouco mais de força do que o normal.

- Opa, foi mal.

Levantei os olhos e dei de cara com um garoto que parecia ter saído diretamente de um filme. Ele tinha pele clara, cabelo castanho com mechas mais claras e um corte moderno e despojado. Seus olhos eram intensos, marcantes, e seus traços faciais bem definidos davam um toque de mistério ao semblante sério. A jaqueta de couro preta só reforçava a aura de bad boy que ele carregava sem esforço.

- Sem problema. -respondi, tentando não parecer afetada. Ele olhou para o meu papel que eu ainda segurava nas mãos.

- Introdução à Atuação? Parece que vamos ter aula juntos.

- Ah, que bom! Então já conheço alguém.

Ele deu um sorriso de canto, aquele tipo de sorriso que não entrega muito, mas deixa um certo ar de curiosidade no ar.

- Sou Victor.

- Marina.

- Nos vemos na aula, então.

E antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, ele seguiu seu caminho, sem pressa, como se tivesse todo o tempo do mundo.

Olivia e Virgínia me encararam ao mesmo tempo.

- Bom… isso foi interessante. -Olivia comentou.

- Você atrai encrenca, Marina. -Virgínia completou.

- Vocês são impossíveis.

Mas, por dentro, eu não podia negar… algo me dizia que aquele encontro não tinha sido por acaso.

Depois de me despedir de Olivia e Virgínia, segui para a minha primeira aula. O auditório onde aconteceria Introdução à Atuação era espaçoso, com fileiras de cadeiras confortáveis e um palco iluminado na frente. Alguns alunos já estavam espalhados pelo lugar, conversando animadamente ou olhando suas anotações.

Fui em direção ao meio do auditório, procurando um bom lugar para sentar, quando notei Victor encostado em uma das cadeiras, as pernas esticadas e os braços cruzados sobre o peito. Seu olhar vagava pelo ambiente como se ele já estivesse entediado.

Antes que eu pudesse decidir se sentava perto dele ou não, ele levantou o olhar e sorriu de canto.

- Então você apareceu mesmo.

- E por que eu não apareceria? -arqueei uma sobrancelha. Ele deu de ombros.

- Muitos entram nessa aula achando que atuar é só decorar falas e acabam desistindo na primeira semana.

- Bom, eu não sou esse tipo de pessoa. -retruquei, sentando-me na cadeira ao lado da dele.

Victor me observou por um momento, como se estivesse tentando me decifrar, mas antes que pudesse dizer algo, a professora entrou na sala. Ela era uma mulher alta e elegante, com um coque impecável e um olhar afiado.

- Bom dia, alunos! Sejam bem-vindos à Introdução à Atuação. Eu sou a Professora Donovan, e esta não será uma disciplina fácil. Esqueçam qualquer ideia de que atuar é apenas decorar um roteiro. Aqui, vamos explorar emoções, improvisação e vulnerabilidade.

Olhei de relance para Victor, que continuava com sua expressão misteriosa, como se nada daquilo o impressionasse.

- Para começarmos -continuou a professora-, quero que vocês se dividam em duplas.

O auditório ficou agitado enquanto os alunos se olhavam, tentando escolher seus parceiros. Antes que eu pudesse pensar em alguém, senti um leve toque no meu braço.

- Acho que isso significa que somos uma dupla. -Victor disse, um leve desafio no olhar.

Engoli em seco. Algo me dizia que atuar ao lado dele seria tudo, menos entediante.

Victor continuou me encarando com aquele olhar tranquilo, mas ao mesmo tempo intrigante. Eu não sabia se ele estava apenas sendo simpático ou se gostava de testar as pessoas.

- Algum problema? -ele perguntou, notando meu silêncio.

- Nenhum. Só estava pensando que provavelmente você não tem cara de quem faz teatro. -ele riu, um som baixo e rouco.

- E que cara exatamente alguém que faz teatro deveria ter?

- Sei lá… menos ar de bad boy e mais de alguém que gosta de interpretar Shakespeare no tempo livre? -ele inclinou a cabeça levemente, como se analisasse minha resposta.

- Talvez eu só goste de fingir ser alguém que não sou.

Antes que eu pudesse responder, a professora Donovan bateu palmas para chamar nossa atenção.

- Certo, agora que todos têm seus parceiros, vamos começar com um exercício simples, mas essencial para qualquer ator: expressar emoções sem palavras.

Murmúrios se espalharam pelo auditório. Alguns alunos pareceram empolgados, outros apreensivos. Eu me encaixava no meio-termo.

- Quero que encarem seus parceiros e transmitam uma emoção apenas com a expressão facial e a linguagem corporal. -continuou Donovan.- Sem palavras, sem sons. Apenas olhares.

Virei para Victor, encontrando seus olhos intensos fixos em mim. Meu estômago revirou de leve. Eu gostava de atuar, mas ser observada assim, tão de perto, fazia meu coração bater rápido demais.

- Comecem! -anunciou a professora.

Eu hesitei por um segundo. Qual emoção eu deveria passar? Escolhi a alegria e dei um sorriso verdadeiro, tentando transmitir entusiasmo. Victor não respondeu imediatamente. Ele apenas me observou por mais alguns segundos, e então, lentamente, seu semblante mudou.

Seus olhos ficaram um pouco mais suaves, como se estivesse vendo algo nostálgico. Ele suspirou discretamente, seus lábios se curvaram levemente para cima, mas não era um sorriso completo. Era um sorriso que carregava algo além… um toque de saudade, talvez?

Senti um arrepio percorrer minha pele. Como ele fez isso? Como alguém podia transmitir tantas camadas de sentimento apenas com um olhar?

- Ok, troquem de emoção! -a professora ordenou.

Decidi tentar algo diferente e fechei o rosto, demonstrando raiva. Victor ergueu as sobrancelhas, surpreso por um segundo, mas logo sua expressão se transformou. Seus olhos ficaram mais frios, seu maxilar travou, e quando ele inclinou ligeiramente o queixo para frente, sua presença se tornou ameaçadora.

Meu coração acelerou.

Era como se, por um breve momento, ele não fosse mais Victor, o garoto misterioso de jaqueta de couro. Ele parecia alguém que poderia ser perigoso se quisesse.

- E… fim! Muito bem! -Donovan interrompeu, trazendo todos de volta à realidade.

Pisquei algumas vezes e soltei o ar, percebendo que havia prendido a respiração. Victor relaxou imediatamente, voltando ao seu estado normal.

- Impressionante. -a professora disse, olhando para nós.- Como se chamam?

- Victor Everleigh. -ele respondeu.

- Marina Bieber. -respondi.

- Senhor Everleigh, você tem uma intensidade cativante. Senhorita Bieber, seu contraste entre emoções foi excelente. Quero ver mais disso nos próximos exercícios. -assenti, ainda um pouco perdida no que havia acabado de acontecer.

Quando Donovan começou a explicar o próximo exercício, Victor se inclinou levemente na minha direção e sussurrou:

- Você faz isso bem. Mas ainda tem medo de se soltar completamente. -virei para ele, sem saber se aquilo era um elogio ou um desafio.

- E você? Sempre olha para as pessoas desse jeito intenso ou é só comigo? -ele sorriu de canto, se recostando na cadeira.

- Talvez você só seja interessante de observar.

Eu não soube o que responder. Só sabia que aquele primeiro dia de aula havia ficado bem mais intrigante do que eu esperava.

As aulas passaram mais rápido do que eu esperava. A manhã foi cheia de atividades, e no final, eu já estava ansiosa para o almoço. Eu não sabia ao certo se meu estômago estava mais nervoso por causa de tudo o que estava acontecendo, ou porque meu cérebro ainda estava processando o fato de que a faculdade da Columbia era muito mais do que eu imaginava.

Quando encontrei Olivia e Virgínia na cantina, logo tomei um assento à mesa. Olivia estava com o sorriso mais largo do mundo, e eu sabia que algo estava prestes a acontecer.

- Meninas, vocês não vão acreditar! -Olivia disse, quase sem fôlego.

- O que foi agora?

- Tem um garoto brasileiro na minha turma de História da Música! Ele é lindo, um verdadeiro deus grego!

- Aham, claro. Todos são lindos para você. -Virgínia rolou os olhos, mas Olivia não pareceu se importar.

- Não estou brincando, Virgínia! Ele é tipo… perfeito!

Eu dei uma risada, mas Olivia já estava me apontando na direção de um grupo que estava sentando em uma mesa próxima.

- Ali! O de cabelo preto, alto, com os ombros largos… -ela disse, empolgada.

Quando meus olhos seguiram o gesto de Olivia, meu coração parou.

Ele estava lá. Alto, com cabelos pretos e um olhar penetrante, os ombros largos de quem se exercita muito. Ele tinha um olhar de confiança que parecia fazer o ambiente ao redor se afastar. A maneira como ele se expressava, como se fosse o centro do universo, fazia com que a sala toda prestasse atenção.

E então, nossos olhares se encontraram. O tempo pareceu desacelerar, e tudo ao meu redor desapareceu. Ele parecia surpreso por um momento, mas logo seus olhos se suavizaram, e a intensidade deles não diminuiu.

- Então, você conhece ele? -Virgínia perguntou, quebrando o silêncio que se formou.

- Não, não conheço. -respondi, ainda sem conseguir tirar os olhos dele.

- Esse é Luan. -Olivia continuou, com um brilho nos olhos.- Ele é brasileiro, e eu ouvi dizer que ele é ótimo com música.

Eu o observei por mais alguns segundos, até que notar que ele sentava na mesma mesa onde Justin estava, acompanhado de mais dois caras. Eles pareciam estar discutindo algo animadamente, como se estivessem no meio de uma conversa interessante. Justin estava de costas para mim, então não pude ver a expressão no rosto dele, mas sabia que ele estava ali, perto de Luan.

Minha mente estava em um turbilhão. Eu tentei disfarçar, olhar para a comida, para Olivia e Virgínia, mas algo dentro de mim não conseguia parar de pensar sobre o tal Luan.

- Nossa, Luan parece ser tão… intenso, né? -Virgínia comentou, tirando-me dos meus pensamentos.

- Ele tem uma presença. -Olivia concordou, como se estivesse imersa em seus próprios pensamentos sobre ele. Eu respirei fundo e tentei agir normalmente.

- Não parece ser o tipo que se mistura facilmente, né? -falei, sem querer, mas tentando entender melhor o que estava acontecendo dentro de mim. Olivia olhou para mim, sorrindo.

- Pode até ser. Mas ele e Justin se tornaram amigos, Justin também está na minha turma. E você sabe como Justin é. Acho que, quem sabe, você acaba conhecendo ele melhor.

Eu apenas sorri sem saber o que dizer. Meu coração ainda estava acelerado, e eu não podia deixar de me perguntar o que exatamente significava aquele olhar que tivemos.

O almoço passou rápido, mas enquanto Olivia e Virgínia falavam sobre as aulas que tinham tido até agora, meu cérebro estava em outro lugar. Eu não conseguia parar de pensar em Victor. A intensidade com que ele me observou durante o exercício de atuação não saía da minha cabeça, e, de algum modo, eu me sentia estranhamente atraída pela sua presença silenciosa e misteriosa.

Mas, logo em seguida, meu pensamento se desviava para Luan. Eu não sabia muito sobre ele, mas aquele momento em que nossos olhares se cruzaram me deixou inquieta. Ele parecia tão… tão seguro de si, como se estivesse acostumado a ser o centro das atenções. Algo me dizia que ele seria importante de alguma forma, mesmo que eu não soubesse como ou por quê.

Tentava focar nas conversas de Olivia e Virgínia, mas minha mente estava distante, como se estivesse em um lugar onde só eu e esses dois garotos existíssemos.

Quando o sinal tocou, me despertei dos meus pensamentos e comecei a juntar minhas coisas. Era hora de ir para a próxima aula.

A aula era uma mistura de teatro e moda, e estava curiosa para ver como esses dois mundos poderiam se conectar. Ao entrar na sala, avistei uma cadeira vazia atrás de uma garota loira, com as raízes escuras. Ela estava sozinha, o que me fez sentir um pouco mais confortável, já que não sabia exatamente onde me encaixaria.

Ao me aproximar da cadeira, percebi que ao redor dela havia uma cadeira vazia a cada lado. Eu estava prestes a sentar, quando um trio de meninas entrou na sala. Elas caminharam até onde a loira estava sentada, e uma delas, com um olhar autoritário, me surpreendeu ao pedir para ela sair.

- Ei, sai dessa cadeira. -a garota disse. A loira, com uma expressão neutra, olhou para ela, e depois para mim.

- Ah, tudo bem. -disse ela, se levantando calmamente.

Eu não sabia o que me deu, mas uma raiva inesperada surgiu em mim. Sem pensar, me virei para a garota que havia feito o pedido e falei:

- Por que ela deve sair?

A garota me olhou dos pés à cabeça, e pela maneira como seus olhos brilharam, eu soube que ela provavelmente não estava acostumada a ser questionada.

- Porque eu e minhas amigas precisamos sentar juntas. -ela respondeu com um tom frio e cheio de desdém. A loira me olhou brevemente, seus olhos parecendo resignados, antes de dizer:

- Tudo bem, eu saio.

Ela começou a pegar suas coisas, e eu, em um impulso, pulei para o banco da frente, decidindo que não queria mais ficar naquela situação. Sentei ao lado da loira, que estava agora do meu lado. Ela parecia aliviada por não ter causado mais atrito, mas a expressão em seu rosto era difícil de ler.

Foi quando a professora entrou na sala. Ela olhou para o trio de meninas e, sem hesitar, disse:

- Senhoritas Collins, Cousteau e Cardona, por favor, procurem um lugar para sentar. Espero que não estejam arrumando confusão com as novatas.

Eu quase não conseguia acreditar. A professora parecia ser do tipo que não deixava nada passar. O trio de meninas trocou olhares desconfortáveis e, sem protestar, se retiraram para outro canto da sala.

A loira ao meu lado sorriu levemente, e eu, sem saber o que dizer, apenas acenei de volta, me sentindo estranhamente bem por ter questionado aquela atitude.

Após o incidente, as coisas na sala de aula se acalmaram rapidamente. A professora começou a falar sobre o conteúdo da matéria, mas eu estava mais atenta ao meu lado. A loira, que parecia ser mais quieta, olhou para mim com um sorriso tímido e disse, interrompendo o silêncio.

- Eu sou Bruna, prazer. -eu sorri de volta.

- Prazer, Bruna. Eu sou Marina.

Ela parecia mais relaxada agora, sem a tensão que a situação anterior havia causado. Eu então perguntei, meio curiosa:

- Seu sotaque é bem diferente do meu. De onde você é? -Bruna deu uma risada leve, como se já estivesse acostumada com a pergunta.

- Sou brasileira, nasci em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Mas quando estava no ensino médio, fui morar em São Paulo para poder estudar. E agora vim realizar meu sonho de estudar na Columbia. -eu fiquei surpresa, não esperava que ela fosse do Brasil, então tinha até agora dois brasileiros no campus.

- Eu só conheço São Paulo e Rio de Janeiro, mas só de nome. -confessei.- Eu sou de Los Angeles. -ela sorriu novamente, como se estivesse achando interessante nossa troca cultural.

- Ah, Los Angeles, uau! Deve ser uma cidade incrível, né? Nunca fui, mas sempre quis conhecer. -eu concordei, sorrindo também.

- É um lugar legal, sim. Mas Nova York tem algo de especial, não tem? Acho que vou acabar me acostumando por aqui, apesar de ser bem diferente de Los Angeles. -Bruna assentiu, ainda com aquele sorriso tranquilo.

- Com certeza. E, obrigada por ter me defendido. Por ser nova, às vezes as pessoas acham que podem pisar na gente.

Eu a olhei, sentindo uma conexão instantânea com ela, como se fosse uma das coisas que eu mais queria ouvir naquele momento.

- Eu também sou nova, Bruna, mas não deixe ninguém pisar em você. Ninguém tem o direito de dizer o que você pode ou não fazer.

Ela parecia tocada com o que eu disse, e sua expressão suavizou, como se tivesse encontrado em mim um ponto de apoio, mesmo que por pouco tempo.

- Você tem razão. Eu costumo deixar essas coisas passarem, mas vou tentar lembrar disso. Obrigada, Marina.

A conversa entre nós foi interrompida pela professora, que começou a explicar a atividade, mas eu não conseguia deixar de pensar sobre o que acabara de acontecer. Eu estava começando a me sentir mais à vontade aqui. Bruna, com seu jeito calmo e sua história, parecia alguém que eu poderia confiar, alguém com quem eu poderia contar.

Nos próximos minutos, a aula se desenrolou sem mais interrupções, mas aquele encontro com Bruna foi, sem dúvida, um dos momentos que mais marcaram meu dia. Eu sabia que, ao longo dessa jornada na Columbia, ia conhecer muitas pessoas interessantes, mas talvez Bruna fosse uma das primeiras que eu realmente me conectasse.

Postagens mais visitadas deste blog

Personagens

Marina Rhode Bieber Tem 18 anos, é natural de Los Angeles, é meia-irmã de Justin, irmã de Melanie e mora em Nova York, caloura da Columbia. Justin Drew Bieber Tem 18 anos, é natural de London (Canadá), é meio-irmão de Marina e Melanie, mora em Nova York, calouro da Columbia. Luan Rafael Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegado em Nova York, é irmão gêmeo de Bruna, calouro da Columbia. Bruna Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegada em Nova York, é irmã gêmea de Luan, caloura da Columbia. Melanie Marie Bieber Tem 17 anos, natural de Los Angeles, irmã mais nova de Marina e meia-irmã de Justin, estudante do último ano do Ensino Médio. Olivia Sidney Mitchell Tem 18 anos, natural de Londres, mora em Nova York, caloura da Columbia. Virginia Weston Yeardley 18 anos, natural de Washington, mora em Nova York,  caloura da Columbia. Chloe Araya Collins 19 ...

Capítulo 93

Marina Narrando Já era segunda-feira e minha cabeça estava a mil. Eu caminhava pelos corredores do estúdio com uma mão apoiada na barriga já bem arredondada e um café descafeinado na outra, tentando organizar todos os pensamentos que martelavam desde o fim de semana. Eu ter voltado com o Luan… ainda parecia surreal. Quando deitamos no sofá ontem à noite e ele me puxou pra perto, me chamando de “minha namorada” com aquele sorriso bobo, eu senti um alívio no peito que não sabia que precisava. Mas também… tinha o outro lado. O post sobre a Bruna e nossa amizade, explodindo nas redes sociais. Eu vi cada comentário de ódio direcionado a ela e era revoltante. Pior ainda porque, embora os fatos estivessem todos distorcidos, eles não eram totalmente mentira.  Quando cheguei à sala de reunião no set, já estavam todos lá. O elenco completo, produtores, roteiristas, técnicos. Era aquele burburinho animado de sempre, todo mundo empolgado porque a divulgação do segundo filme já ia começar, com ...

Capítulo 91

Luan Narrando  Eu senti meu peito subir e descer rápido, ainda sem conseguir me afastar dela. Marina tava ali, entre os meus braços, a respiração dela quente contra a minha pele, e tudo em mim gritava pra não soltar. Aquela boca… aquele gosto dela… eu não lembrava quanto era viciante até provar de novo. Me sentei melhor no sofá, trazendo-a junto, acomodando-a no meu colo com cuidado por causa da barriga. Ela deixou escapar um riso nervoso quando ajeitei as mãos na cintura dela, quase como se pedisse permissão outra vez. - Você fica linda assim… -murmurei perto do pescoço dela, sentindo o cheiro do cabelo, descendo uma mão até descansar na curva do quadril.- …tão linda que eu fico até meio burro. Ela soltou uma risadinha, mas arfou quando minha mão subiu devagar pelas costas dela, desenhando a curva da coluna por baixo da blusa. Eu sentia a pele dela arrepiar debaixo dos meus dedos. - Luan… -ela murmurou, meio que em protesto, mas sem força nenhuma pra realmente me parar. - Shhh… -p...